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Genética
X Manejo
Não
há manejo que supere a deficiência genética. Um pássaro
não pode desenvolver características que não herdou.
Sabemos, no entanto, que genética e manejo se completam na preparação
dos bicudos que farão boa figura nos torneios. Todos os procedimentos
precisam ocorrer no tempo certo para que o resultado seja o melhor possível
e para que o pássaro expresse todo o seu potencial - oportunidade
que nem todos têm.
Assim
também ocorre com muitos atletas que se descobrindo tarde, meio
por obra do acaso, ainda logram algum sucesso. Quais teriam sido suas
realizações se tivessem podido treinar com acompanhamento
técnico qualificado desde a infância?
O
potencial necessita de estímulo. A competição, de
condicionamento.
Início
Se
desejarmos um pássaro competitivo não podemos esperar que
a genética faça tudo e que ele se revele no prego da varanda.
É necessário estimular o desenvolvimento do seu potencial
e condicioná-lo para o melhor desempenho.
Mesmo
um galador precisa ser treinado para facilitar o manejo. É necessário
que o condicionemos ao uso do passador para sair da sua gaiola, adentrar
à gaiola da fêmea, cobri-la e retornar para a sua gaiola.
É importante que ele esteja afeito ao espaço e à
disposição dos poleiros nas gaiolas utilizadas como criadeiras.
Devemos fazê-lo efetuar várias dessas passagens usando uma
gaiola criadeira vazia, antes que faça sua primeira cobertura.
Início
Acasalamento
Esse
é um pressuposto básico para o pássaro competidor.
Embora alguns bicudos não acasalados apresentem grande performance,
são a exceção e não a regra. Consideramos
o início da estação de reprodução,
quando o bicudo já está pintado, mas ainda não iniciou
a muda para preto, a melhor época para acasalá-lo. Uma fêmea
jovem, que esteja rumando no máximo para o seu segundo ano de vida,
é a ideal. A fêmea deve ter sido criada sem contato visual
com outras fêmeas de modo a que tenha desenvolvido um maior sentimento
territorialista, além de ser ativa e fogosa. O casal deve ser mantido
em um mesmo ambiente, sem contato visual e sem a presença de outros
pássaros por, pelo menos, 15 dias. O único contato permitido
é o sonoro. Em uma semana já iniciam a troca de chamados
e após 15 dias já percebem a falta um do outro. A fêmea
fica mais agitada quando não escuta o canto do macho por perto
ou o escuta mais longe. Se isso não ocorrer em 15 dias, devemos
trocar de fêmea e reiniciar o processo. Após 15 dias devemos
permitir que durante alguns minutos por dia os dois se avistem, e já
poderemos manejá-los juntos. Colocamos o casal para fora para o
banho de sol. Nos passeios levamos o casal. O entrosamento se desenvolverá
aos poucos. Carece esclarecermos que a escolha da fêmea para acasalamento
com um pássaro de competição obedece a nuances específicas
em cada caso. Há bicudos que rendem melhor com uma fêmea
fria, outros dependem de uma fêmea fogosa, que os estimule com os
“quem-quem” característicos. Alguns, antes dos torneios,
apreciam dormir vendo a fêmea, outros não. Há bicudos
que separados da sua fêmea, rapidamente acasalam com outra, sem
perda do rendimento. Outros que nunca mais apresentam o mesmo rendimento
ao mudar de fêmea. Cada bicudo possui suas características
individuais e cabe a nós procurarmos descobrir a forma de obter
o melhor do seu desempenho.
Início
Preparação
do bicudo para torneio de fibra
No
primeiro ano de vida o mais importante para o futuro competidor é
desenvolver um canto adequado aos torneios e a capacidade respiratória
para suportar cantar por longos períodos. É necessário
que se exercite em voadeiras com poleiros distanciados e que receba ótima
alimentação. O filhote deve ser passado para uma gaiola
menor após ter completado a muda para pintão ou maracajá.
É normal que fique um pouco arisco com a mudança, o que
será corrigido gradativamente por um manejo mais intenso. A gaiola
deve ser mudada de local várias vezes. Banhos de sol, passeios
com a gaiola na mão, passeios de automóvel, permanência
em locais movimentados, com muitas pessoas por perto e visitas a regiões
de mata, principalmente onde haja brejo, contribuem para o pássaro
vá se desinibindo. O bicudo deve ser acostumado à capa na
gaiola. Tudo de forma gradativa para evitar o estresse. Vez ou outra deve
avistar a fêmea com a qual desejamos acasalá-lo. É
importante que essa fêmea não tenha contato com outros machos.
Quando estiver com o canto totalmente aberto, repetindo bastante, deve
ser acasalado. Os passeios devem prosseguir com a presença da fêmea.
Nos deslocamentos para regiões de mata, a gaiola da fêmea
deve ser mantida à distância, sem contato visual. Devem permanecer
por cerca de uma hora, trocando chamados que estimulam o macho a cantar
cada vez mais. O entrosamento entre o casal é fundamental para
o sucesso do condicionamento. Nessa fase do treinamento já podemos
buscar o contato com outro macho. A melhor solução é
procurar parceria com outro criador que esteja preparando bicudos para
fibra. No início um deve apenas ouvir o outro a uma distância
mínima de 10 m. A fêmea deve ser mantida a uma distância
que permita ao macho ouvir seus chamados. Essas sessões não
devem exceder a 30 min. A observação e sensibilidade do
criador nessa fase são fundamentais. Conforme a desenvoltura apresentada
pelo bicudo, o contato visual com o outro macho pode ser permitido e progressivamente
a distância pode ser diminuída para até 5 m. Devemos
evitar nesses treinamentos o contato de bicudos maracajás ou pintados
com bicudos pretos. A distância mínima de 5m deve ser respeitada.
Ainda não é chegado o momento encostar as gaiolas dos machos.
Apressar essa fase poderá destruir o temperamento do nosso futuro
campeão. Esses treinamentos devem prosseguir até o início
da próxima muda. Quando estiver enxugando a muda para preto, o
bicudo deve passar um mês no gaiolão antes de iniciar a sua
preparação para a temporada de torneios. O treinamento deve
ser retomado e a aproximação dos machos deve chegar até
20 cm entre as gaiolas. Tudo de forma progressiva. No início, o
bicudo poderá se esquecer de cantar e somente ficar procurando
briga com o adversário. Na medida em que for acostumando com a
proximidade dos adversários, irá cantar e repetir com desenvoltura.
O tempo das sessões deve ser aumentado e os adversários
de disputa, variados. Também a fêmea deve ser mantida afastada
nos momentos em que o macho estiver duelando canto com os adversários.
As reuniões de bicudeiros nos finais de semana são excelentes
oportunidades para a complementação da preparação
dos bicudos de fibra.
Cabe ressaltar que não basta um pássaro ter muita fibra
para se destacar nas rodas. Muitos, plenos de fibra, não são
bem condicionados ou não respondem bem ao condicionamento e acabam
por não apresentar boa produção na roda. Não
afinam de jeito nenhum, mas chegam na roda e querem brigar, ficam voando
na tala da gaiola e esquecem de cantar.
Passarinho sem fibra é o que pia frio, o que não mantém
a ordem, o que desasa e vai para o fundo da gaiola. Esses não servem
para roda e muito menos para a reprodução.
Início
Duelos
de canto entre bicudos, com as gaiolas separadas por divisão que
impeça o contato visual podem ser permitidos, porém não
em demasia para não condicionar o pássaro a cantar apenas
dessa forma.
Consideramos
que a melhor performance do bicudo em torneios de fibra ocorre entre as
idades de 4 e 6 anos. Ele deve ser testado aos três anos nas rodas
de fibra. Também acreditamos que não deva ser levado à
reprodução até que tenha atingido as suas melhores
possibilidades nos torneios.
Início
Preparação
do bicudo para torneio de canto
O
grande problema do desempenho dos bicudos nas provas de canto é
o reduzido tempo destinado à sua avaliação. São
apenas 5 minutos para o bicudo demonstrar todo o seu potencial.
Com
os bicudos de canto clássico devem ser evitados os duelos com outros
bicudos para evitar a aquisição de vícios de canto,
salvo se ambos apresentarem o mesmo canto. Os passeios, principalmente
por lugares movimentados são ótimos. Mudanças constantes
da gaiola de lugar, banhos de sol são excelentes estímulos
à abertura do seu canto.
O
mais importante, no entanto, é o seu condicionamento.
Início
Para
isso empregamos a capa. O bicudo deve ser mantido com a gaiola encapada
por uma semana ou mais. Após isso devemos retirar a capa e pendurá-lo
em local externo ao criatório. Devemos ter cuidado para que seja
um local sombreado pois o bicudo estará acostumado a penumbra,
com a gaiola encapada. Retirada a capa ele tenderá a cantar pelo
estimulo visual do novo ambiente. Se passar mais de 10 minutos sem cantar
devemos encapar a gaiola e devolvê-lo ao criatório. Se iniciar
o canto devemos observar e permitir que cante até dar sinais de
que está reduzindo as cantadas. Quando estiver diminuindo o número
de cantadas ou de repetições, encapamos a gaiola e o devolvemos
ao seu lugar no criatório. Devemos repetir esse treinamento diariamente,
com sessões de no máximo 30 min.
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Ao
poucos o pássaro ficará condicionado a cantar na hora que
a capa é retirada da gaiola. Devemos efetuar passeios de automóvel
com a gaiola encapada, conduzindo sessões de treinamento em locais
variados. Quando o bicudo estiver bem condicionado, iniciará seu
canto com a gaiola ainda na mão, assim que for retirada a sua capa.
Nas provas de canto, permita que ele dê uma ou outra cantada com
a gaiola na mão, antes de ir para a estaca. É muito importante
o entrosamento do bicudo com seu criador nessa modalidade.
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