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A ornitologia se ressente de pesquisas científicas sobre a nutrição dos pássaros. Os poucos trabalhos existentes contemplam canários e, principalmente, psitacídeos. A falta de informações sobre os valores nutricionais dos alimentos normalmente empregados na alimentação dos pássaros é um grande complicador das pesquisas. As tabelas com valores nutricionais disponíveis foram elaboradas a partir de pesquisas com aves de granja, não sendo aplicáveis à elaboração de dietas para pássaros, pelas diferenças no metabolismo. O meio corporativo aloca recurso para pesquisas envolvendo, principalmente, animais de produção. A indústria Pet tem dado bastante atenção à elaboração de rações para cães que já se encontram significativamente desenvolvidas. Há rações específicas para raças ou para as diferentes fases da vida do cão. Para pesquisas com pássaros faltam investimentos. Principalmente por contarmos com cerca de 5 mil espécies de passariformes, cada uma com necessidades distintas. Também o segmento de pássaros silvestres, embora venha crescendo muito nos últimos anos, ainda não se constituiu em um mercado consumidor relevante para as grandes corporações. A AAFCO – Association of American Feed Control Officials (http://www.aafco.org/) elaborou uma tabela com necessidades básicas de determinados nutrientes para passeriformes que tem norteado a formulação das rações. O Comitê que elaborou a tabela trabalhou com energia bruta e não com energia metabolizável - como seria o ideal -, pela indisponibilidade de dados. A tabela também é espécie-inespecífica e não adaptada as diferentes fases da criação. Como conseqüência, está muito longe de determinar parâmetros confiáveis para a elaboração da dieta de bicudos em cativeiro.
Drepper, em trabalho publicado em 1988, encontrou um valor mínimo de 9% para a proteína bruta em dieta de manutenção de periquitos. Ullrey, em 1991, sugeriu valores médios de 22%, para sustentar períodos de reprodução e muda. Outros trabalhos como os publicados por Roudybush e Grau em 1991 e por Carciofi, A.C. em 2001, sugerem valores em torno de 20% para proteína bruta. É complicado buscar referência na literatura disponível. A idéia romântica de reproduzir em cativeiro
a alimentação dos pássaros em liberdade também não costuma trazer bom
resultado. Em primeiro lugar as necessidades não são as mesmas. Um pássaro
em liberdade passa 10% do seu tempo voando. Durante o vôo consome 20
vezes mais energia do que Também é muito difícil saber exatamente que alimentos consomem na natureza. A maioria dos nossos pássaros silvestres é constituída por onívoros oportunistas e é impossível saber quantos e quais insetos foram comidos por um bicudo entre uma e outra porção de sementes de tiririca. Outra coisa a ser levada em consideração é que a alimentação disponível na natureza, embora permita a vida e perpetuação das espécies, não garante a expressão máxima do seu potencial genético. Em cativeiro vivem por mais tempo, são mais prolíficos e apresentam condição sanitária superior. A maior parte das informações empregadas na suplementação do cardápio dos nossos bicudos tem referência nas práticas adotadas pelos criadores de canários, que já possuem 4 séculos de experiências práticas. Infelizmente ainda encontramos, em muitos criatórios, pássaros obesos, dificuldade com a muda, baixos índices reprodutivos, galadores e matrizes que não se aprontam, e fêmeas que apresentam problemas na postura. Acreditamos que boa parte desses problemas esteja ligada à falta de suplementação adequada da dieta oferecida aos pássaros. Tudo ainda é muito empírico. Nos fundamentamos na observação das práticas adotadas pelos criadores e nos resultados observados nos seus planteis. Nada nos garante, no entanto, que essa seja a melhor solução e que estejamos possibilitando o maior aproveitamento da genética dos nossos pássaros. Se o leitor observou a página sobre
alimentação, sabe que adotamos uma mistura de semente
tradicional, oferecemos em comedouro separado rações da
Megazoo, a SM 25 no período de reprodução e a SM
16 no resto do ano. Também oferecemos diariamente uma farofa
com farinhada, ovos e sementes cozidas durante a temporada de cria e
3 vezes por semana na fase de manutenção. A receita da
Farofa está na página Alimentação.
Recentemente, por conta da aquisição de alguns pássaros
acostumados com a ração Alcon Club Curió efetuamos
sua introdução no cardápio dos nossos bicudos.
As rações são servidas em comedouros tipo unha
grande e a mistura de sementes em comedouro contínuo. Notamos
que os pássaros aceitaram bem a Alcon e reduziram, ainda mais,
o consumo da mistura de sementes. Observamos que alguns pássaros
são seletivos na escolha dos pelets da Alcon. Alguns refugam
os de coloração verde e outros os vermelhos. Notamos,
ainda, que as fezes dos pássaros que consomem a Alcon se tornaram
mais amareladas e se fixam mais ao fundo das bandejas. Entramos em contato
com a Alcon e fomos informados que não há risco de desequilíbrio
na dieta pelo refugo de pelets, pois todos possuem a mesma formulação,
salvo o corante. Também fomos informados que a questão
das fezes se deve a um maior consumo de água e a melhor digestibilidade
da ração. (Sobre o consumo de água cabe estudo
posterior, pois pode ter influência na quantidade de principio
ativo ingerido nas medicações). Observamos que o consumo médio de alimentos
sólidos é de Nos dias em que oferecemos a farofa, praticamente não há consumo da ração. Os bicudos gostam muito da farofa, cremos que estimulados pela cor mais viva e pela textura mais úmida. Observamos ainda que o consumo de água é bastante regular e fica em torno de 6 mL por dia por pássaro. Esse dado foi obtido em Brasília_DF, onde o clima é muito seco. Acreditamos que poderá variar em outras regiões. Esse é um elemento importante para a correta dosagem de medicamentos na água. Procuramos um complexo de aminoácidos que incluísse todos os aminoácidos essenciais, a saber: Lisina; Triptofano; Histina; Leucina; Valina; Fenilalanima; Treonina; Metionina; Isoleucina e Arginina. Também podem ser considerados essenciais para os pássaros, principalmente em desenvolvimento, a Glicina, a Prolina e o Ácido glutâmico. Consideramos a melhor opção o Aminosol, da Lavizoo. No frasco do produto está escrito que 12 gotas de aminosol correspondem a 1 mL. Provavelmente levaram em conta sua densidade. Calculadora para cá tabela lá, bebedouro de 50 mL e a conclusão de que é impossível harmonizar uma dosagem de vitaminas e aminoácidos com a recomendação das necessidades diárias. A lavizoo certamente não buscou referência na AAFCO nem no sistema NRC americano para a formulação do produto. Seguir as dosagens recomendadas pelo fabricante
na bula do medicamento é muito fácil. O dificil é
subtrair os nutrientes que já estão presentes na dieta
do pássaro para adequar a suplementação. Há necessidade de um complexo de vitaminas. Decidimos pelo Orosol, da mesma empresa. Consideramos criteriosamente as dosagens das vitaminas liposolúveis cujos excessos o organismo tem mais dificuldade para eliminar. As dosagens ideais ficaram menores que uma gota por dia no bebedouro de 50 mL. No final decidimos pela seguinte programação suplementar: 1 gota de Aminosol em um bebedouro de 50 mL (de cor escura para evitar a ação da luz), três dias sem medicamento, 1 gota de Orosol em bebedouro de 50 mL e mais três dias sem medicamento. Assim durante todo o ano, salvo na época da reprodução, quando reduzimos o intervalo para dois dias.. Embora tentemos buscar respaldo científico, nos faltam elementos para uma conclusão segura de que essa seja a melhor opção. Mas até que surjam novos elementos para decisão, esse programa de suplementação será mantido em nosso criatório. O resultado nos tem parecido muito satisfatório.
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