É inevitável a busca de referência em pássaros que se destacaram como representantes de determinada categoria de canto e que tiveram seus cantos gravados e divulgados. Alguns desses pássaros fizeram escola ao terem suas gravações empregadas no ensinamento de filhotes nos mais diversos criatórios. O dialeto que foi característico de determinada região perdeu seu referencial geográfico e foi fomentado em nichos, conforme a disponibilidade de gravações e preferência dos criadores. Hoje encontramos bicudos de qualquer categoria de canto em todas as regiões do País, onde são criados.
Para efeito de concursos ou torneios de canto, os cantos estão divididos em categorias e sub-categorias - as chamadas "modalidades": O Canto Clássico Goiano, Canto Clássico Alta Mogiana, Canto Flauta e Canto Livre (peito de aço), sendo as modalidades com e sem repetição. Em relação ao cantos clássicos Alta Mogiana e Goiano, muito já se caminhou para um entendimento em nível nacional, que atenda os criadores e defina os regulamentos dos torneios de canto. As pequenas intransigências individuais que ainda levam um ou outro criador a tentar impor um padrão atendido por seus pássaros, ou ainda, adequado à sua preferência pessoal, estão caindo por terra diante da necessidade de união para o fortalecimento das categorias de canto de bicudo. Com a categoria Canto Flauta a coisa é muito mais complexa que se imagina. O estabelecimento de um padrão é praticamente impossível, pela enorme variedade de dialetos existentes. Para que todos os bicudos de Canto Flauta possam competir reunidos em uma mesma categoria, podem ser determinadas apenas algumas características e peculiaridades próprias do canto, comuns a todos os dialetos, ou seja, a capacidade de aumentar a duração e a intensidade das notas, flauteando-as (voz ressonada), sendo dessa forma possível fazer uma avaliação do canto. Já na categoria Canto Livre (peito de aço), torna-se um pouco mais simples, não existindo notas padronizadas em seu dialeto, porém, o pássaro deverá emitir notas de bicudo na sua totalidade, não podendo emitir notas de outros pássaros.
A forma adequada para a representação gráfica de uma nota pressupõe a utilização de pentagramas universais. Como poucos criadores ou mesmo juízes de canto possuem conhecimento que os habilite à leitura de partituras musicais, valemo-nos da representação escrita das notas, como fonemas, tal qual compreendemos ao ouvir o pássaro cantar. Isso aumenta um pouco a confusão pois é comum que ouvindo um mesmo canto um criador escute um Ti-Qué-Ti enquanto outro escuta um Ti-Cá-Ti. Com a utilização da informática, através de "sofwares" especificos, a interpretação dos sonogramas e compreensão dos cantos ficou facilitada.
Regulamento de Canto
de Bicudos - FEBRAPS
Regulamento de Canto de Bicudos - COBRAP