Estudando os registros genealógicos do Buldogue Campeiro, conseguimos identificar, fundamentalmente, quatro linhagens, que estão muito relacionadas. Há algumas inserções de refrescamentos parciais com cães portadores de Registro Inicial (RI). Alguns RIs são suspeitos.

Durante a fase inicial da raça, muitos cães foram produzidos e descartados por falta de correspondência com o fenótipo procurado. Mesmo após o registro da raça, vários filhotes que não apresentavam o padrão ideal foram comercializados sem pedigree por muitos criadores. Esses cães se reproduziram e podem ser hoje encontrados por um criador da raça que julgue ter obtido um autêntico remanescente dos "bordogues", que poderia ser empregado no refrescamento sangüíneo de seu plantel. O erro poderia levar o criador a tentar um refrescamento com cães consangüíneos ao plantel.

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A FIC exige um mínimo de sete linhagens definidas e não relacionadas e homogenidade de progênie em um número elevado de gerações para reconhecer uma nova raça. Com a variabilidade genética disponível atualmente, nunca conseguiremos o reconhecimento internacional do nosso Buldogue Campeiro.

Nenhuma raça de Buldogue funcional desenvolvida nas diversas nações do mundo conseguiu reunir os elementos para o reconhecimento pela FCI.

No Campeiro, o grande divisor de águas da raça foi o cruzamento de um cão do Canil Molosso di Jerivá com uma cadela do Cãodominio, conduzido pelo sr. Ralf, que produziu o Tambo e um irmão que permaneceu no Sul e foi chamado de Fritz.

Esses cães impõem à progênie as características de conformação buscadas pelos criadores da raça. O plantel atual está repleto de cães dessa linhagem.

Não há opção melhoradora. Os filhos do Tambo somente poderão ser acasalados com cadelas inferiores e sua capacidade de melhoramento irá progressivamente sendo absorvida e diluída pelo plantel nacional. Haverá um ganho, mas, a partir daí o progresso será mínimo e muito lento.

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Necessitamos com urgência de maior variabilidade genética. Há duas formas para obtê-la. A primeira é continuar procurando remanescentes dos "bordogues" para cruzá-los com Buldogues Ingleses e produzir novas linhagens. Esse caminho é penoso e perigoso. O Buldogue Inglês confere estrutura corporal e tipicidade a esses cruzamentos, mas compromete características tão ou mais importantes como o temperamento, a inteligência e a aptidão para o desempenho das funções de guarda. Os filhos de BI são ciumentos e insociáveis. Esse caminho já foi percorrido pelo sr. Ralf. Retornar a ele é retroceder no tempo 30 anos.


O outro caminho é a importação de Buldogues funcionais de outras raças e o seu registro como verdadeiros RIs de Campeiro. Assim teríamos um grande ganho com a possibilidade de aproveitamento dos resultados conquistados por outros projetos em outras partes do mundo. Os criadores americanos, atentos a questão da necessidade de diversidade genética já levaram a IOEBA a aceitar o pedigree de outras linhagens de Buldogue, reconhecendo-os como RI de Olde English. O processo é transparente. No pedigree do filhote resultante do acasalamento com um desses cães é enunciado que o pai ou a mãe foi originalmente registrado em outra raça e reconhecido como RI de Olde English.

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Quem adquire um filhote desses cruzamentos sabe exatamente o que está comprando. O registro genealógico segue perfeito. Nós mesmos possuímos um filhote de Olde English Bulldogge, com pedigree expedido pela IOEBA enunciando que é filho de um cão originalmente registrado como Buldogue Campeiro na CBKC. Esse filhote foi produzido pelo Canil Molosso di Jerivá, com o cruzamento de uma cadela Olde importada com um Buldogue Campeiro. Esse cruzamento foi efetuado a pedido de criadores americanos e canadenses. Os filhotes foram quase todos exportados. O amigo Fernando Starling não me permitiu usar o Johnny (Olde) em uma cadela minha, mas não pôde se negar a ceder-me um filhote dessa ninhada.

Dessa forma estamos exportando o que temos de melhor, sem a contra-partida da importação do que há de bom lá fora.

Importar cães e usá-los no melhoramento do nosso plantel de Campeiros, informando outro pedigree nos acasalamentos, além de antiético, nos levaria a um refrescamento real, que, por não ser documentado, nada agregaria a possibilidade de reconhecimento internacional da raça.


Para que a importação de exemplares de destaque nas linhagens desenvolvidas em outros países seja viável, a CBKC precisa compreender a necessidade e homologar o processo.


A idéia não é criar buldogue americano ou Olde English no Brasil com pedigree de Campeiro, mas incorporar animais que agreguem valor genético ao nosso plantel.


Há contra essa possibilidade o argumento romântico dos puristas que pensam estarmos resgatando o autêntico "bordogue". Não estamos resgatando raça nenhuma. Isso seria impossível. Se fosse possível não haveria nenhuma finalidade. O "bordogue" não desapareceu por conta da degradação ecológica, de acidente climático ou qualquer outra causa. Desapareceu por falta de interesse em sua reprodução. Outros cães continuaram sendo criados e o "bordogue" foi abandonado. Se a falta de interesse motivou seu declínio, qual seria o interesse em recriá-lo hoje?

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Estamos trabalhando em uma nova raça, o Buldogue Campeiro, à qual procuramos agregar várias e inegáveis qualidades existentes no antigo "bordogue".

Mas é uma nova raça. Uma raça em sintonia com a realidade atual e com a expectativa dos que desejam Buldogues fortes, confiáveis, que brinquem com seus filhos sem inspirar preocupações e que contribuam com a segurança do patrimônio.

A questão da morfologia é fundamental. As exposições são importantes. Nossos reprodutores devem estar perfeitamente enquadrados no standard oficial da raça. Mas a procura obstinada pela orelha em rosa ou pelo rabo curto e torto só nos levará a um Buldogue Inglês maior e completamente inútil. A vaga de Buldogue show já foi preenchida pelo Buldogue Inglês, que conta com mais de um século de seleção.

Buscamos o Buldogue funcional, com fisiologia superior, com temperamento equilibrado e aptidões para guarda e companhia. Precisamos de uma maior diversidade de exemplares e de linhagens, para podermos trabalhar com maior pressão de seleção o temperamento e as aptidões.


Não nos iludimos com possibilidade de integração de todas as linhagens de Buldogue funcionais desenvolvidas no mundo a curto e médio prazos, que seria a situação ideal para o avanço da raça.
A vaidade e os interesses comerciais são um obstáculo muito forte. Sempre haverá alguém tentando valorizar seu cão com a afirmação de que esse é um legítimo Johnson American Bulldog, um autêntico Leavitt Olde English Bulldogge ou um original Buldogue Campeiro do Cãodominio. Isso como se uma raça pudesse pertencer a alguém. Como se nenhum outro criador tivesse capacidade de agregar sua contribuição.

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O trabalho pioneiro de Johnson, de Ken Mollet, da família Lane, de Leavitt, de Noel Green, de Ralf Bender e de Scott, sempre será lembrado com respeito e gratidão por todos os admiradores desses cães maravilhosos que, graças a eles, hoje podemos ter em nossa companhia.

Os clubes, federações e confederações são responsáveis pelo registro das genealogias e pela observação do standard das raças, de modo a que sejam evitados desvios de características.
Os criadores são o grande motor do desenvolvimento de qualquer raça. Quanto mais pessoas se dedicarem a atividade, maior será a possibilidade de sucesso. Um especialista ligado a FCI afirmou recentemente em uma entrevista que uma raça leva um século para amadurecer, se for bem trabalhada.

Estamos apenas no início desse trabalho.

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