O Buldogue Campeiro


Quando os imigrantes europeus chegaram ao sul do Brasil, trouxeram com eles vários exemplares de Buldogue, afeitos à guarda das propriedades e ao manejo dos animais de produção.

Esses cães se adaptaram rapidamente à região e, por muitos anos, foram empregados no manejo do gado, nas criações extensivas. Disciplinados, atendiam prontamente ao comando dos peões, para cercar, prender ou soltar um boi dominado. Possuíam grande resistência para suportar o duro trabalho da lida no campo. A geada no inverno e sol escaldante no verão nunca afetavam a condição fisiológica dos cães.
Inteligentes, compreendiam rapidamente o manejo e sabiam quando acuar e quando prender uma rês desgarrada.


Habilidosos e rápidos, evitavam os coices dos animais com facilidade. Conviviam nas sedes das fazendas com galinhas, porcos, ovelhas, bezerros, potros e vacas leiteiras sem nunca molestá-los. Eram sociáveis com outros cães. Aceitavam com tranquilidade a presença de visitantes acompanhados por pessoas do seu convívio. Guardas atentos, principalmente à noite. Latiam pouco.
Os cruzamentos ocorriam ao acaso e a seleção era a natural. O programa de seleção nas fazendas se fundamentava na morte dos cães que demonstrassem instinto cruel. Matar um porco, galinha ou ovelha ou, ainda, não querer soltar um boi dominado ao comando do peão significava morte certa. Também não havia grande empenho no seu adestramento. Os cães jovens aprendiam o manejo com os mais velhos.
Cães que demonstrassem medo ao enfrentar o gado bravio eram castrados ou mortos. Assim se deu o melhoramento genético, determinado por aptidões e temperamento, sem maiores preocupações com morfologia.

A pecuária foi se tornando cada vez mais intensiva, com gado manso e com propriedades menores. Com isso, a importância dos cães no trabalho de campo ficou menor. Os Buldogues ainda permaneceram ativos nos matadouros, trabalhando na apartação do gado nos currais e dominando um ou outro boi enfurecido que seguia para abate.
A Saúde Pública deu golpe de misericórdia nos Buldogues quando, por questões de ordem sanitária, proibiu o emprego de cães nos matadouros.
Os Buldogues quase desapareceram.


Na década de 1970, Ralf Schein Bender iniciou um importante trabalho de resgate dos Buldogues disponíveis. Reuniu o que pôde, dentre os remanescentes da raça, e, com um programa de acasalamentos que incluiu os buldogues ingleses modernos, estabeleceu um padrão fenotípico que mais tarde permitiu o registro da raça na CBKC como Buldogue Campeiro.
A raça conquistou muitos criadores e é atualmente a que mais se desenvolve dentre as brasileiras. Graças ao trabalho competente de vários criadores que se uniram ao esforço de Ralf Schein Bender , a raça já conta com ótimos exemplares e desperta o interesse de criadores de outros países.

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