Quando o nosso organismo é infectado por uma bactéria ou vírus, o sistema imunológico se encarrega de analisar o invasor e iniciar a produção de anticorpos específicos para anulá-lo ou destruí-lo. Há um intervalo de tempo entre o contato com o novo invasor e a produção dos anticorpos. Durante esse período o vírus ou bactéria se reproduzirá e poderá causar alguma enfermidade. Com alguma possibilidade de variação, o organismo levará de 6 a 15 dias para produzir uma quantidade significativa de anticorpos.
As informações dessa análise ficam armazenadas na memória do sistema imunológico. Se, em outra oportunidade, tivermos novo contato com esse mesmo vírus ou bactéria, a ação dos nossos anticorpos será imediata, não permitindo o seu desenvolvimento. Quando a imunidade foi desenvolvida a partir do contato com o microorganismo em suas condições normais, dizemos que o organismo adquiriu imunidade ativa contra esse invasor, que nunca mais poderá causar qualquer problema.
Algumas doenças, no entanto, são causadas por microorganismos de desenvolvimento muito rápido. Antes que o sistema imunológico consiga analisar o invasor e produzir os necessários anticorpos, a doença já terá se instalado.
Para esses microorganismos são produzidas as vacinas. As vacinas são componentes biológicos, produzidos a partir dos próprios microorganismos. Uma pequena quantidade desses agentes causadores da doença, atenuados, inativados ou modificados é inoculada em nosso organismo. Nosso sistema imunológico ira analisar esses invasores e produzir os anticorpos necessários para neutralizá-los, memorizando essas informações. Quando nosso organismo for invadido por esses vírus ou bactérias, já terá as informações necessárias e os anticorpos aniquilarão de imediato os invasores, antes que possam causar qualquer mal. Quando a imunidade foi desenvolvida a partir de uma vacina, dizemos que essa imunidade é passiva.
A memória dessas informações vai se perdendo com o tempo. Esse tempo é variável de organismo para organismo e também de um tipo de vacina para outro, havendo a necessidade de doses de reforço de determinadas vacinas, para que se conserve a imunidade passiva contra elas.
As vacinas salvaram mais vidas que qualquer outro medicamento produzido pelo homem. A vacinação dificulta a progressão das doenças e diminui a necessidade do emprego de antibióticos, que podem levar os vírus e bactérias ao desenvolvimento de resistência, tornando-se ineficazes com o passar do tempo.
A vacina é um componente passivo. Não terá qualquer efeito em um organismo já contaminado pela doença que objetiva prevenir.
Não
há uma vacina que seja garantia total de imunização contra
uma doença. A vacina fornece ao organismo as informações
necessárias para o desenvolvimento da imunidade passiva. A produção
de anticorpos e a memorização das informações necessárias
ao sistema defensivo dependem do organismo vacinado. Um organismo, por limitações
fisiológicas, poderá ser incapaz de produzir anticorpos. Um estado
de imunossupressão temporária poderá impedir o aproveitamento
de uma vacina, por parte do organismo vacinado. Um exemplo típico é
o tratamento com medicamentos corticóides, que causam imunossupressão.
Durante esses tratamentos, a vacinação não produzirá
os efeitos esperados.
Em nossos cães é comum a vacinação tornar-se ineficiente nos casos de infestações verminóticas severas.
O cio das cadelas é um fator de estresse que poderá limitar o efeito da vacinação. Não devemos vaciná-las nesse período.
Os cães produzidos por acasalamentos excessivamente consangüíneos costumam apresentar limitações para o desenvolvimento de imunidade passiva.
Cães idosos podem ter dificuldade no desenvolvimento da imunidade passiva.
Uma
outra questão limitante do processo, é a conservação
da vacina, necessariamente entre 2 e 8 graus positivos. Se esfriar ou esquentar
para além desses parâmetros, ainda que apenas por alguns minutos,
estará comprometida. Existem as vacinas chamadas éticas, onde
o laboratório produtor emprega sua estrutura de distribuição
para fazê-las chegar diretamente aos profissionais da medicina humana
ou veterinária. As vacinas éticas não estão disponíveis
no comércio especializado.
Nas lojas especializadas, poderemos adquirir vacinas de vários fabricantes.
São mais baratas e podem ser tão eficazes quanto as da distribuição
ética, mas corremos o risco de que, em alguma etapa do processo de distribuição,
a sua qualidade tenha sido comprometida pelo armazenamento inadequado.
Normalmente, os laboratórios reservam para a distribuição
ética as suas versões mais completas e atualizadas.
Consulte as normas
para o armazenamento de vacinas.
Até a 6 semana de vida o filhote terá 95 % de suas defesas dependendo dos anticorpos recebidos da mãe, através do leite, especialmente do chamado colostro ou leite inicial. É importantíssimo que o filhote mame o colostro logo após seu nascimento. A cadela deve receber uma dose de reforço da vacina polivalente, antes da cobertura. Dessa forma passará mais anticorpos aos seus filhotes.
A primeira dose de vacina do filhote deverá ser dada quando completar entre 42 e 45 dias de vida. Nos casos de filhotes que viverão em ambientes de grande desafio, a vacinação poderá ser iniciada aos 30 dias de vida. Nesse caso há algum ganho na proteção do filhote, mas o aproveitamento da vacina convencional ainda não será total, pelas limitações do organismo do filhote para a produção de anticorpos, bem como pela interferência dos anticorpos maternos, passados na amamentação. A vacina Nobivac Puppy DP, contra Cinomose e Parvovirose Canina, segundo o fabricante, é o único poduto no mercado que pode ser aplicado nos filhotes a partir de 4 semanas.
| A cepa ondestepoort de cinomose com alto título e cepa C154 da parvovirose com alto título e baixa passagem são consideradas eficazes mesmo na presença dos anticorpos maternos. |
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A vacinação dos filhotes será iniciada pela vacina polivalente,
tipo V8 ou V10, que objetiva protegê-lo contra (1) Cinomose, (2) Coronavirose,
(3)Doença respiratória (Adenovírus tipo 2), (4) Hepatite
(Adenovírus do tipo 1), (5 e 6) Leptospirose (Leptospirose canicola e
Leptospirose icterohaemorrhagiae), (7) Parainfluenza e (8) Parvovirose. A V10
inclui vacinas contra mais dois tipos de Leptospiras, a L. pomona e a L. grippotyphosa.
O filhote deve receber 3 doses da vacina V8 ou V10, a partir dos 45 dias de vida, em intervalos de 21 - 30 dias. É necessário um reforço anual em dose única.
A
vacina anti-rábica deve ser aplicada aos 4 meses de idade (dose única)
com reforço anual.
As
vacinas contra Giardia e contra Pneumonia devem ser aplicadas a partir dos 45
dias, com reforço após 30 dias e reforço anual em dose
única.
A
Fort Dodge, um dos maiores produtores mundiais de vacinas, colocou recentemente
no mercado a primeira vacina contra a leishmaniose viceral canina. Ainda são
poucas as clínicas veterinárias onde pode ser encontrada.
Essa vacina deve ser prevista no programa de vacinação dos nossos
cães, por sua gravidade e número de ocorrências no Brasil.
Recomendamos
um intervalo de, ao menos, 5 dias entre a vermifugação e a vacinação.
O vermífugo poderá causar uma queda no sistema imunológico,
prejudicando o melhor aproveitamento da vacina.
O filhote saudável poderá receber mais de uma vacina no mesmo dia.
A vacinação por médico veterinário é sempre recomendável, pois além do acesso a vacina ética, o filhote será avaliado clinicamente.