Quebra da Cadeia Epidemiológica

        O grande responsável pelos problemas de saúde em um criatório é o tratador dos pássaros. Observamos, frequentemente, a negligência com preceitos básicos da manutenção da condição sanitária em um criatório ser compensada com uso intenso de antibióticos. Há, inclusive, quem recorra ao uso de antibióticos de forma preventiva. Não há comprovação cientifica da eficácia de uso de antibióticos em dosagens subclínicas, em caráter preventivo, na criação de pássaros. Mesmo em criações superintensivas de aves para o abate, o uso de antibióticos como preventivos e promotores de crescimento está sendo substituído, com grande vantagem para a saúde das aves e dos consumidores, pelos simbióticos naturais.

        Quando é ministrado um antibiótico, além de outros efeitos colaterais, fica comprometida a microbiota intestinal dos pássaros causando um grande problema para o equilíbrio de sua condição sanitária. Um antibiótico é sempre um mal menor que se destina ao combate de um mal maior. Deve ser reservado para casos onde seu uso é imprescindível.

        O sucesso da manutenção de uma condição sanitária ótima é a quebra da cadeia epidemiológica:

Fonte de Infecção >> Via de Eliminação >> Via de Transporte >> Via de Contaminação

        A maior fonte de infecção é o pássaro portador assintomático de determina doença. Ex.: um pássaro que contraiu a bouba aviária, recuperou-se e se transformou em portador assintomático da doença será sempre uma ameaça à condição sanitária do criatório. Um pássaro que apresentou micoplasmose, mesmo tratado, continuará eliminando o micoplasma. Pássaros silvestres são normalmente portadores assintomáticos de grande quantidade de agentes patógenos. A introdução de novos pássaros no criatório é sempre um risco. A quarentena é fundamental. Pássaros destinados à participação em torneios ou exposições devem ser mantidos em ambiente distinto do restante do plantel. A proteção contra o acesso ao criatório de espécimes silvestres que vivem em liberdade deve ser prevista na organização do criatório.
        Os cuidados com os alimentos fornecidos aos pássaros, isentos de agrotóxicos, de fungos e substâncias causadoras de alergias evitam problemas com intoxicações e infestações por fungos.

        As vias de eliminação são as fezes, as secreções e, até mesmo a expiração. É o elo da cadeia epidemiológica que não pode ser quebrado.

        A via de transporte pode ser a água, os utensílios, as gaiolas, equipamentos, as mãos do tratador e mesmo o ar. Insetos, ácaros e roedores são bons vetores. Visitas de pessoas estranhas ao criatório devem ser evitadas. Principalmente de pessoas que convivam com outras aves.

        As vias de contaminação podem ser a ingestão oral, a picada de hematófagos, as feridas, o contato físico e mesmo a inspiração.

        Qualquer programa de controle sanitário será fundamentado na quebra dos elos da cadeia epidemiológica. Os elos que devem merecer nossa maior atenção são as fontes de infecção e as vias de transporte.

        A grande deficiência, na maioria dos criatórios, é a higiene, ferramenta fundamental no bloqueio da cadeia epidemiológica. Gaiolas com grade de fundo evitando acesso direto do pássaro à bandeja, trocas regulares do material absorvente da forração das bandejas, limpeza e desinfecção de gaiolas, poleiros, utensílios, equipamento e instalações e higiene do tratador são fatores determinantes de uma condição sanitária excelente.

        A limpeza deve, necessariamente, anteceder à desinfecção. Na desinfecção devem ser empregados produtos específicos, principalmente a base de amônia quaternária, cloro, iodo e fenóis. Devem ser seguidas as recomendações dos fabricantes e deve ser variado o principio ativo dos desinfetantes para evitar o desenvolvimento de resistências.

        Também as condições de iluminação, temperatura e umidade corroboram para uma boa condição sanitária. Há um ditado que diz que “em criatório onde entra o sol não entra o veterinário”.