Viabilidade de uso na alimentação dos
pássaros
Ciclo reprodutivo
Criação em cativeiro
A alimentação
Instalações
Preparo das caixas
Manejo
Viabilidade de uso na alimentação
dos pássaros
O primeiro ponto a ser discutido é a importância das larvas na
alimentação dos pássaros.
Podemos assegurar que com a disponibilidade atual de rações e
farinhadas, balanceadas para cada espécie de pássaro, as larvas
perdem importância pelo seu valor nutricional.
Embora apresentem cerca de 20 % de proteína bruta (média digestibilidade)
e 12 % de gordura, sua relação Cácio/fósforo é
de 0,04 (133 ppm de C e 3300 ppm de P), inadequada para a alimentação
dos pássaros, contribuindo para o desbalanceamento da dieta.
Sua cultura está muito sujeita ao desenvolvimento de fungos, principalmente
Aspergillus flavus e A. Parasiticus causadores de Aspergilose e, indiretamente,
de Aflatoxicose.
Em contrapartida, é notório o benefício psicológico
que leva aos pássaros. Desperta seus instintos de predadores onívoros.
Estimula as fêmeas a se aprontarem para a reprodução e a
alimentarem os seus filhotes. Já vimos fêmeas mateiras que não
alimentam seus filhotes se não tiverem acesso às larvas.
Ciclo reprodutivo
O Tenébrio Molitor, como todos os besouros, submete-se a uma metamorfose
completa, passando pelos estágios de ovo, larva, pupa (ou crisálida)
e besouro.
O ciclo reprodutivo se completa em 6 meses, estando, no entanto, muito sujeito
as condições de temperatura, umidade, nutrição e
iluminação. São de hábitos noturnos, não
suportando a luz solar. Baixas temperaturas poderão retardar ou até
mesmo impedir seu desenvolvimento.. A temperatura ideal para o seu desenvolvimento
fica entre 28 e 32°.
Quando desejarmos retardar o desenvolvimento das larvas que estejam em um tamanho adequado para fornecimento aos filhotes, bastará resfriar a colônia, mantendo-a em uma temperatura de cerca de 10 °C.
Os besouros apresentam diformismo sexual evidente, estão maduros sexualmente no 10 dia e vivem por cerca de 60 dias.
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Podemos notar as extremidades mais angulosas e definidas nos machos | ![]() |
As femeas são ligeiramente maiores e apresentam contornos mais suaves. |
Uma fêmea pode efetuar a postura de cerca de 300 ovos que aderem às
partículas do substrato e eclodem após 15 dias.
Pouco após a eclosão já se pode observar o movimento causado
pelas novas larvas no substrato.
A pele (exoesqueleto) é quitinosa e não acompanha o desenvolvimento
da larva, sendo substituída por até quinze vezes antes que essa
se torne uma pupa, em um processo chamado ecdises. Daí as colônias
ficarem repletas de “cascas” de larvas. A duração
da fase larval é de aproximadamente 90 dias e uma larva pode atingir
3 cm de comprimento e 1 g de peso.

No final do seu desenvolvimento, sobem para a superfície do substrato
e iniciam a fase de transformação, quando são chamadas
de pupas ou crisálidas. As pupas não se alimentam e movimentam-se
apenas por contorções dorso-ventrais quando estimuladas pelo toque.
Permanecem nesse estagio por 15 dias, quando viram besouro.


Criação em cativeiro
A maior preocupação em sua manutenção está
relacionada ao desenvolvimento de fungos e a conseqüente produção
de micotoxinas. Os segredos são ambiente seco, ventilado, alimentação
de qualidade, inclusão de adsorventes de micotoxinas no substrato e constante
renovação das colônias.
Também é importante protegermos as colônias contra a invasão por outros insetos, principalmente por formigas que dizimam completamente as culturas . A proteção conta o ataque de formigas é obtida pela unção do pés das prateleiras com graxa, que impede a sua subida.
A alimentação
Os farelados de cereais se constituem na base da formação do substrato,
que será consumido pelas larvas. O farelo de trigo é o mais empregado,
mas apresenta o inconveniente de comumente vir contaminado com ovos de outros
insetos, como os de pequenas mariposas e os de carunchos. Para empregá-lo
sem problemas, deve ser colocado por dois minutos em um forno de microondas,
para assepsia. Uma preocupação importante é a granulometria
do farelado. Deve ser do tipo flocos e nunca do tipo pó, para permitir
uma aeração do substrato, facilitando a respiração
das larvas.
Embora não seja a opção mais econômica, adotamos
o Neston da Nestlé como o substrato das nossas caixas de recria. Adicionamos
ainda 20% de proteína de soja texturizada.
Nas caixas destinadas a desova empregamos Mucilon de milho e de arroz, com granulometria
mais fina, que facilita a separação das larvas que irão
para as caixas de recria.
Muitas outras soluções são adotadas para a formação
do substrato. Há quem adicione premix mineral. Contra-indicamos, no entanto,
alguns componentes que tendem a se degradar mais rapidamente como leite em pó,
farinha láctea, ração para cachorros e outras rações
empregadas na avicultura de produção.
Costumamos oferecer como fonte de umidade fatias de batata (uma batata inglesa
cortada em 4 partes), que são depositadas sobre uma almofada de bucha,
do mesmo tipo empregado para a proteção dos ninhos, para evitar
contato com o substrato. Esses vegetais devem ser substituídos diariamente.
Observamos, no entanto, muitos criadores que não fornecem qualquer fonte
de umidade e conseguem manter suas culturas.
Instalações
Usamos dois tipos de caixas. Ambas de madeira, com as paredes verticais internas
revestidas por fórmica, para evitar que sejam escaladas e com tampa parcialmente
telada (malha fina – 1 ou 2 mm).
As caixas de recria com 60 cm de comprimento, 30 cm de largura e 20 cm de altura.
As caixas para desova com 30 cm de comprimento, 20 cm de largura e 20 cm de
altura.
Nas paredes laterais, em uma faixa de 10 cm (metade superior) efetuamos várias
perfurações com uma broca bem fina, para melhorar a ventilação
da caixa.
Para manter uma temperatura entre 26 e 32° C, instalamos nas caixas de recria, um bocal e uma lâmpada vermelha de 15 Watts que fica ligada permanentemente.
Preparo das caixas
Nas caixas de recria colocamos 6 latas de Neston, de 400 g e 2 pacotes de Proteína
de soja texturizada de 500 g. Adidionamos 15 g de Aflatox ( adsorvente de micotoxinas).
Tudo é muito bem misturado e nivelado. Considerando as medidas citadas
para as caixas, o substrato fica com cerca de 6 cm de profundidade, que consideramos
ideal.
Por sobre o substrato colocamos algumas folhas de papel toalha. Fica sem papel
toalha apenas o local onde é colocada a almofada de bucha, para receber
os legumes destinados ao fornecimento de umidade. O papel toalha poderá
ser colocado em duas ou três camadas. As larvas que estiverem próximas
de puparem migrarão para o meio das toalhas de papel.
Nas caixas de desova não instalamos lâmpadas para aquecimento. Formamos o substrato com uma lata de Mucilon de milho, uma lata de Mucilon de arroz e 5 g de Aflatox. Colocamos uma almofada de bucha e cobrimos o restante da superfície com duas ou três camadas de papel toalha.
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Caixa de recria fechada
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Caixa de recria aberta |
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Caixa de desova fechada |
Caixa de desova aberta |
Manejo
Nas caixas de desova são colocadas apenas pupas, não mais de sessenta,
removidas das caixas de recria. Nelas tornar-se-ão besouros e farão
a postura. De duas a quatro semanas após a da morte do besouros examinamos
o substrato e observamos a movimentação das novas larvas, recém
eclodidas. Passamos o substrato por uma peneira mais grossa (4 mm) para retirarmos
os restos de besouros mortos, cascas de pupas e outros elementos indesejados.
O substrato volta para mesma caixa depois de peneirado. Quando as larvas novas
tiverem atingido um tamanho que permita sua retenção na peneira
fina (2 mm), o substrato deve ser peneirado para a retirada e transferência
das larvas para as caixas de recria. Deve ser evitada ao máximo a transferência
de substrato de uma caixa para outra. Dessa forma, sempre renovando totalmente
o substrato, a possibilidade de desenvolvimento de fungos e outros organismos
indesejados é minimizada.
O emprego de caixas para desova, reunindo apenas pupas e cascudos, incrementa
sobremaneira a produção de larvas. Quando a desova ocorre nas
caixas de recria, a maioria dos ovos é comida pelas larvas em desenvolvimento,
comprometendo a produtividade da colônia. Essa é a forma que a
natureza encontrou para controlar a superpopulação.
O substrato consumido deve ser manuseado com muito cuidado pois apresenta característica
alergênica. Se constitui em excelente adubo para plantas.
Da mesma forma, para as caixas desova deves ser transferidas apenas as pupas,
que são coletadas com o auxílio de uma pinça.
As dimensões e quantidades de caixas devem ser adequadas as necessidades
de cada criatório.
Um conjunto (caixa de desova + caixa de recria), com as dimensões citadas
permite a produção de cerca 5.000 larvas. Para que tenhamos larvas
em ótimas condições durante todo o tempo, são necessários,
no mínimo, dois conjuntos.
Caixas superlotadas levam ao canibalismo. Caixas pouco povoadas desperdiçam
substrato.
Consideramos que os principais fatores limitantes da produção de larvas de Tenébrio Molitor e caixas são os seguintes:
-Pouca ventilação nas caixas, especialmente nas que possuem paredes revestidas de fórmica ou são de plástico, colaborando para que a umidade cause a degradação do substrato.
-Falta de renovação do substrato, facilitando o desenvolvimento de fungos e produção de aflatoxinas.
-Permissão de desova nas caixas onde existem larvas em desenvolvimento,
comprometendo a quantidade de ovos eclodidos.
O manejo que descrevemos serve apenas de referência. Muita informação
está disponível sobre o assunto e diversas são as soluções
adotadas.
Cabe a cada criador adotar procedimentos adequados às suas circunstâncias.