Uma grande causa de morte de nidícolas é a desidratação. Principalmente com as ninhadas de fêmeas mais apressadas, que aprontam para a reprodução antes da chegada da estação das chuvas, a questão da hidratação dos filhotes se constitui em desafio para o criador.

        A maioria dos criadores contorna o problema com o fornecimento de milho verde para as fêmeas que estão alimentando filhotes. O milho verde é excelente para hidratação dos filhotes, mas possui um nível de proteína bruta em torno de 3%, muito baixo para a manutenção de uma dieta que permita a maior expressão do potencial genético dos filhotes. Ainda apresenta outros inconvenientes como a facilidade de fermentação, de desenvolvimento de fungos e a possibilidade de contaminação por agrotóxicos. Além do que, seu armazenamento em condições ideais é muito complicado.

        É comum o fornecimento de larvas de tenébrio molitor para buscar uma elevação no nível de proteína da dieta dos filhotes, alimentados com o milho verde. Aí o risco de fungos é aumentado ainda mais, pois são poucas as colônias de larvas mantidas sem qualquer contaminação.

        Esses fatos nos levam a buscar outras soluções para manter a ninhada hidratada e a dieta melhor balanceada.

        A incorporação de sementes germinadas é recomendada por vários nutricionistas para enriquecimento da dieta humana.
É sabido que, no início do processo de germinação, uma serie de rações químicas aumenta a disponibilidade de nutrientes de ótima qualidade.

        Podemos aproveitar essas propriedades naturais para melhorar a alimentação dos nossos pássaros. Há, no entanto, a necessidade de alguns cuidados para que se evite a indesejada proliferação de fungos, típicas dessas culturas.

        Descreveremos um procedimento que adotamos com sucesso, especialmente para a alimentação/hidratação de ninhadas que eclodem no final do período da seca, quando temos, no Distrito Federal, dias com temperaturas máximas de até 40° C e umidade relativa de menos de 15%.

        Colocamos em uma vasilha plástica (banheira p/ pássaros) 100 mL de água potável. Dissolvemos nessa água o conteúdo de uma cápsula de Elétric, repositor eletrolítico da Aarão. Nada impede que um repositor similar seja empregado, há várias opções no mercado.


Material necessário.

        Após a mistura de sais minerais estar bem dissolvida, inserimos as sementes. Usamos como medida um porta-ovo comum, com a mesma mistura de sementes que empregamos na alimentação dos pássaros. As sementes devem permanecer nessa água por um período de 24 horas. As sementes encharcarão nesse tempo, absorvendo água enriquecida por sais minerais, dando início ao processo de germinação.


As sementes ficam submersas por 24 horas



        Após completadas as 24 horas de repouso, lavamos as sementes em água corrente com o auxílio de uma peneira. Após serem lavadas, as sementes voltam para vasilha de plástico, agora apenas úmidas, e são levadas para a geladeira (não freezer) onde permanecem por igual período de 24 horas, continuando o processo de germinação em baixa temperatura para impedir o desenvolvimento de fungos.


Sementes umidas, após lavagem em água corrente.


        Passadas as 24 horas, são retiradas da geladeira, lavadas novamente em água corrente com o auxilio da peneira e estão prontas para serem servidas. Devemos cuidar para que não sejam fornecidas geladas.

        A quantidade do exemplo resulta em 4 comedouros tipo unha grande, cheios de sementes.

        Se esse processo for efetuado no início do dia, diariamente teremos um alimento para ser fornecido às fêmeas, antes que a farinhada seja preparada e distribuída.

        Muito bem aceito pelas fêmeas e filhotes, é um alimento que muito colabora com a hidratação das ninhadas, substituindo o milho verde com a vantagem do valor nutricional superior.

        Costumamos oferecer uma unha grande pela manhã, antes da distribuição da farinhada e outra no início da tarde, para cada fêmea que estiver tratando de filhotes.

        Esse é, ainda, um ótimo recurso nos casos de mudas de bico mais delicadas, quando o pássaro apresenta maior dificuldade para quebrar sementes duras.