Nutrição
de aves
Por Mark Hagen e Rolf C. Hagen, Inc
Hagen Avicultural Research Institute
A nutrição ideal pode ser alcançada com diferentes dietas.
Contudo, não é fácil e a compreensão de alguns
princípio básicos dos prós e contras de cada alimento
no que diz respeito a vitaminas, minerais, proteínas, gordura e outros.
É importante quando se pretende fazer uma mistura de alimentos.
Os animais e aves selvagens aprendem com os seus progenitores a combinação
correta de alimentos, muitas vezes bastante restritos e pouco diversificados,
que satisfazem as suas necessidades de vôo, crescimento, reprodução
e vida.
Estes alimentos selvagens foram selecionados pelos animais o longo de milhares
de anos de evolução natural.
Em cativeiro estes animais estão sob condições diferentes
e alimentam-se de diferentes matérias daquelas a que estão,
instintivamente, habituados, contudo, esperamos que aprendam imediatamente
a selecionar a melhor combinação. Mas não é necessariamente
melhor alimentar as aves com o que comeriam em liberdade quando estão
em cativeiro. Muitas plantas selvagens contém elementos vegetais secundários
e baixos níveis de variados nutrientes essenciais. Por exemplo, o fornecimento
de argilas ricas em materiais neutralizantes como as existentes nos depósitos
de argilas no Perú, não é necessário para as araras
em cativeiro, que consomem alimentos produzidos para consumo humano. Alguns
criadores têm a idéia romântica de que as dietas em cativeiro
que sejam complicadas, trabalhosas e que usem ingredientes caros, serão
as mais nutritivas. Contudo, é possível fornecer alimentos fáceis
de preparar e a custo eficiente sem com isso comprometer os níveis
essenciais de nutrientes.
Em vez de discutir e explicar cada um dos nutrientes essenciais como as vitamins,
minerais, etc, e qual o seu papel fisiológico nas aves, prefiro discutir
como fazer com que esses nutrientes sejam consumidos por estas em níveis
corretos e ótimos.
As sementes eram, e são, quase sempre servidas como dieta base para
aves em cativeiro. Algumas até criam com esta alimentação.Todavia,
a nutrição ótima raramente é atingida com este
método e as aves produzem posturas incompletas, ou não vivem
tanto como poderiam.
A moda na América é fornecer legumes, massas e dietas formuladas
aos papagaios e reduzir significativamente, se não totalmente, as sementes
oleosas na sua dieta. Existem pelo menos 12 companhias distintas que comercializam
dietas formuladas e calculo que pelo menos metade dos papagaios reprodutores
seja mantido com estas formulas e não com sementes.
As sementes podem ser suficientes quando devidamente suplementadas e fornecidas
em quantidades tais que obriguem a ave a comer os vegetais e outros alimentos
suplementares. As frutas e a maioria dos vegetais são bons portadores
de vitaminas hidrosolúveis e, como tal, um bom suplemento vitamínico-mineral
para a dieta das aves como adição a uma base de sementes. Em
si mesmos não contribuem muito para a dieta, pois contem elevados níveis
de água, alguma fibra e algumas vitaminas e minerais, no caso dos vegetais
de folha escura. Pessoalmente não gosto deles devido à higiene,
trabalho e custo envolvido na sua preparação e limpeza dos restos
não consumidos.
O mais dramático com as dietas de sementes não é o seu
defice em alguns nutrientes, que pode ser corrigido com suplementos, mas sim
o excesso de gordura que não pode ser removido depois de consumido.
Os níveis de gordura nas variedades de semente mais frequentemente
consumidas são tão altos que estas sementes são chamadas
de oleogaminosas.
Início
Embora o cártamo seja uma semente mais pequena e menos
apetecível que o girassol, o seu conteúdo de gordura é,
na verdade, mais elevado. As aves podem não gostar do gosto amargo
da cártamo e como resultado acaba, por consumir outras sementes quando
mantidas com uma mistura rica em cártamo. Uma ingestão elevada
de gordura produz fezes pequenas e baixo consumo de água, uma vez que
a água é produzida metabolicamente no metabolismo das gorduras.
Dietas preparadas resultam em fezes maiores, especialmente com dietas baseadas
em granulados pobres em gorduras, que promovem o consumo de água. O
equilíbrio correto do total de calorias em relação à
necessidade de energia e crescimento da ave é de grande importancia.
Ambientes frios, gaiolas maiores, viveiros e atividade reprodutiva requerem
mais energia.
A vida sedentária da maioria das aves de gaiola, aliada a um fornecimento
constante de comida, conduz, inevitavelmente, a uma sobre-alimentação.
Isto, juntamente com o consumo preferencial de sementes oleosas, nozes e outros
alimentos ricos em gordura, limita o consumo de outros alimentos nutritivamente
melhores, nos quais se incluem os granulados.
Alguns níveis elevados de gordura não devem ser considerados
totalmente prejudiciais. Mesmo 8 a 12 por cento da gordura nos granulados,
continua a ser um quinto dos níveis encontrados nas sementes oleosas.
Germinar as sementes pode reduzir o teor de gorduras e acrescentar algumas
vitaminas. O problema com a germinação é o risco de contaminação
por fungos tal como candida sp. E o tempo e espaço necessário
à sua preparação.
A densidade calórica da dieta é importante uma vez que é
o fator determinante da quantidade de alimento que a ave irá consumir.
Assim, o nível de energia influencia a quantidade de vitaminas, minerais
e proteína que a ave consumirá diariamente da sua ingestão
de alimento.
O baixo teor energético dos granulados faz com que mais alimento tenha
de ser consumido para satisfazer as necessidades de manutenção
da ave, de fato, o dobro do consumido com dietas de sementes de alto valor
calórico.
A gordura tem mais do dobro da energia por grama que a proteína ou
os hidratos de carbono, e isto justifica as diferença de energia. O
custo de alimentação de uma ave não é baseado
no preço por Kg de alimento, mas sim no preço por Kcal de energia
digestível.
Os alimentos extrugidos têm a capacidade de incorporar de um modo mais
eficiente os teores de gordura. Digestibilidade elevada e valores energéticos
mais elevados, são a moda na produção de uma dieta econômica
com excelentes resultados de manutenção da saúde das
aves.
Os granulados são produzidos acrescentando um pouco de vapor e muita
pressão a uma mistura base seca, e depois pressionando-a para fora
de um contentor metálico por orifício de várias dimensões.
Este processo é normalmente mais usado pela agricultura e pecuária
na produção de alimentos para gado e aves a baixo custo.
O processo de extrusão usa a cozedura dos alimentos com maiores teores
de umidade e é normalmente usado na alimentação humana
e de animais de companhia. Atingem-se temperaturas de processamento mais elevadas,
embora por períodos de tempo muito curtos, mas o suficiente para destruir
agentes patogênicos (que podem existir nas matérias primas em
crú), degradar o amido, aumentando a sua digestibilidade, e incorporar
um maior número de ingredientes na formulação do granulado
produzido.
Não existem dúvidas de que os alimentos extrugidos são
mais palatáveis que a mesma fórmula em forma de granulado. Além
disso, os granulados têm a tendência a produzir um pó fino
quando "trincados" pelas aves, o que causa desperdício. Os
extrugidos partem-se em porções ainda ingestíveis pelas
aves e não em poeira.
A qualidade da proteína, ou seja o equilíbrio e digestibilidade
dos seus aminoácidos constituintes, é tão importante
como o nível total de proteína na dieta. Quanto mais variado
for o número de grãos, legumes, nozes e outras fontes de proteína,
melhor será o equilíbrio final dos aminoácidos. Portanto,
além das vantagens óbvias de palatibilidade na mistura de ingredientes,
também se verificam melhorias ao nível da qualidade da proteína.
Os diferentes perfis de aminoácidos das diversas fontes protéicas
complementam-se entre si, resultando numa proteína final de elevado
valor digestivo e biológico.
Investigação na Universidade de Davis, conclui que as necessidades
no aminoácido lisina em caturras (Nymphicus hollandicus) é de
0,8% e a necessidade total de proteína de 20% da matéria seca
total da dieta. Isto é muito semelhante aos valores para frangos de
engorda, que podem ser usados como valor de referência para estimar
as necessidades dos psitacídeos em crescimento.
Quando comparamos estas necessidades em aminoácidos com os níveis
encontrados nas sementes oleosas, constatamos que todas elas são pobres
em lisina e metionina/cistina.
A proteína nos tecidos das penas contém elevados teores de cistina,
como tal, durante o período de formação ou muda das penas,
as necessidades neste elemento aumentam.
Aves mantidas com uma dieta única de sementes desenvolvem uma pobre
plumagem e este fato poderá ser uma das explicações.
Ao suplementar as dietas com lisina e metionina, que as aves podem converter
em cistina estamos a ajudar à formação de uma melhor
plumagem.
Este exemplo demonstra a importância de suplementar os valores dos nutrientes
verdadeiramente limitantes (deficientes) numa dieta em vez de se acrescentar
um pouco de cada nutriente conhecido, muitos dos quais existirão já
em quantidades suficientes numa dieta base variada.
Muitas pessoas olham as dietas granuladas como monótonas "como
poderia uma ave viver com um único alimento". Contudo, algumas
dietas granuladas contém uma maior variedade de nutrientes e fontes
protéicas que o que algumas aves encontram em dietas de sementes.
Expressa-se alguma preocupação acerca das aves receberem demasiada
proteína e, como tal, sobrecarregando os orgãos excretores de
nitrogénio (ureia) um produto secundário do metabolismo protéico.
Recorde-se que a proteína total consumida está dependente da
densidade energética da dieta, temos portanto de dividir a proteína
pelas calorias para se poderem comparar significativamente as dietas.
Esta área da relação proteina/energia ótima ainda
necessita de muito trabalho e investigação. Poderá ser
possível fornecer níveis relativamente mais baixos de proteína
durante grande parte do ano. A disponibilidade de proteínas estimula,
muito possivelmente, as aves selvagens a procriar, todavia ao darmos níveis
demasiado elevados de proteína durante todo o ano às aves em
cativeiro poderemos não conseguir o mesmo estímulo.
Tais alterações específicas no nível de nutrientes
apenas podem ser conseguidas com dietas formuladas com as quais a ave tem
poucas hipóteses de selecionar outras fontes alimentares de diferente
valor.
Como já foi referido, o alto valor calórico das sementes oleosas
limita o seu consumo e reduz assim a quantidade de aminoácidos disponíveis
para o crescimento de novas penas, músculos, etc. Assim, embora as
sementes oleosas em si tenham uma maior quantidade percentual de proteina
(%), as aves não recebem proteína suficiente, o que explica
o pobre crescimento das penas em aves mantidas com dietas de sementes oleosas.
Em contrapartida as aves a consumir dietas granuladas poderão processar
demasiada proteína como um produto secundário de terem de consumir
mais alimento para satisfazer as suas necessidades de energia. O sistema NRC
americano usa o conceito de expressar os níveis dos nutrientes necessários
baseado em determinados valores energéticos da dieta, para todas as
publicações sobre necessidades nutricionais de animais.
Os níveis de fibra nas sementes são muito mais baixos dos que
são expressos nas análises nutricionais dos lotes de sementes.
Como as aves descascam as sementes, estas cascas de alto teor de fibras não
são consumidas mas são indicadas nos valores de análise.
Isto resulta numa subestimação da proteína e gordura
e sobre-estimação do rendimento em fibra, fazendo estas indicações
perfeitamente inúteis.
A seleção das sementes ricas em calorias e rejeição
das que têm menor teor de gordura (o que equilibraria a gordura) resulta
em má nutrição e obesidade. As dietas formuladas de granulados
combinam e equilibram a fibra com outros nutrientes, de modo que a aves não
podem selecionar as sementes oleosas.
A sujidade causada pelas cascas em redor das gaiolas, um dos aspectos negativos
das aves, acaba por ser eliminado com o uso de granulados.
Os níveis ótimos de vitaminas são difíceis de
determinar e podem facilmente passar despercebidos na ave.
Défices de algumas vitaminas podem resultar em pobre reprodução.
A resistência às doenças e a saúde geral são
difíceis de quantificar. Qual a quantidade extra de vitaminas A, E
ou C que deverá ser adicionada a uma dieta base até que o seu
custo seja desperdiçado ou a ave receba demasiado?
Um dos modos de contornar esta questão é o uso de vitaminas
em formas quimicamente mais seguras. Pré-vitamina A, ou beta-caroteno,
é um exemplo, que as aves podem converter e vitamina A conforme as
suas necessidades. A vitamina C pode ser necessária em períodos
de stress ou para as crias, mas é uma vitamina muito frágil
e instável que rapidamente de degrada nos alimentos.
O uso de forma estabilizadas ou quelatadas assegura que os níveis de
vitaminas presentes no alimento serão na verdade usados pelas aves.
Uma companhia avisou os seus clientes de um suplemento de vitamina E, para
retirarem este da dieta de catatuas macho uma vez iniciada a época
reprodutiva, uma vez que relacionaram um excesso de vitamina E com a agressividade
dos machos. Não ter vitamina E suficiente leva a infertilidade, mas
o uso de demasiada vitamina E não conduz necessariamente problemas
de agressividade e a que as aves se tornem agressivas com os seus parceiros!
O uso de vitamina E em excesso em relação às necessidades
da ave ajuda a atuar como um anti-oxidante nas dietas granuladas, protegendo
as gorduras da rancificação e outras vitaminas de serem degradadas.
Um excesso de vitamina D3 tem causado mais problema nas dietas formuladas
e tentativas de suplementar dietas pobres que qualquer outra vitamina. Contudo,
isto pode ser mais devido ao fato de que o resultado: calcificação
excessiva de orgãos como os rins pode facilmente ser comprovada por
uma exame histopatológico.
Foi formado pelos EUA um Comité de Nutrição Avicola,
apoiado na Asociation os Avian Veterinaries (N.T.: Associação
dos Veterinários Avícolas), para investigar a formação
de algumas linhas base sobre as necessidades das aves em dietas de manutenção.
Tive a honra de participar neste processo do qual uma das mais importantes
indicações foi de que o nivel de vitamina D3 na dieta de um
papagaio nunca deveriam ser superiores a 2.000 UI/Kg (Energia bruta 3200-4200kcal/kg).
Não existe razão para que vejamos crias de arara morrer com
um doloroso excesso de vitamina D3, embora alguns interesses comerciais privados
possam não querer esta divulgação livre de dados de pesquisa.(ver
Feed Management, Watt Pub.,Feb 1998, Vol 49 #2)
Um dos problemas freqüentes nas aves com dieta de sementes secas são
ovos pouco calcificados e ovos "presos", ossos fracos e problemas
de tiróide e contração muscular. Todos estes estão
ligados à falta de minerais na dieta de sementes. A produção
de um suplemento para estas dietas que contenha um pouco de cada nutriente
é ignorar o fato de que alguns deste elementos podem já existir
em quantidade suficiente nas sementes. Potássio e ferro são
dois elementos minerais que existem em boa quantidade nas sementes. Demasiada
suplementação de ferro causa problemas de fígado em alguns
tipos de tucanos, mainatas e insectívoros. Uma atenção
à análise mais cuidada de cada um dos minerais e a sua deficiência
é necessária para se preparar um suplemento adequado.
Parece que o nível de fósforo na maioria das sementes oleosas
é suficiente. Parte desse fósforo está indisponível
para as aves por estar ligado ao ácido pítico. A relação
de fósforo e cálcio tem de estar numa razão de cerca
de 1:2, isso significa o dobro da quantidade de cálcio do que de fósforo.
A maioria dos suplementos minerais contém esta relação
mas, quando combinada com a dieta base de sementes rica em fósforo
e pobre em cálcio, não resulta na absorção perfeita.
Os níveis de cálcio nas sementes oleosa são tão
baixos que os papagaios africanos, depois de uns curtos anos com estas dietas,
podem desenvolver problemas de tétano muscular e outros. Estas aves
necessitam de uma suplementação de cálcio de emergência,
visto terem dificuldades na utilização do cálcio ósseo.
Infelizmente, o excesso de cálcio e a vitamina com ele relacionado,
D3, tornaram-se um problema quando as criadores começaram a suplementar
em demasia as dietas. Nas crias em rápido crescimento o cálcio
é depositado em tecidos moles, como nos rins. Resulta assim na falha
destes orgãos demonstrando que dietas caseiras podem ser perigosas.
As dieta formuladas que pressupõem níveis controlados de nutrientes
são mais seguras, sobretudo para criadores mais inexperientes.
A psitacose (ou ornitose) ainda constitui um problema para algumas espécies
mas pode ser eliminada com o uso de uma ração medicada. Esta
zoonose pode ser encontrada em portadores sub-clínicos como as caturras.
Uma loja em New Jersey foi processada por um cliente que adoeceu devido a
uma ave que ali comprara. Ao abrigo da legislação o cliente
pode alegar que a loja lhe vendera um produto defeituoso que lhe havia causado
problemas de saúde. A companhia de seguros da loja conseguiu um acordo
no valor de $400.000 USD
Na HARI eliminamos todos os portadores de Chlyamidia, que causa psitacose,
usando uma dieta granulada com um premix de 1% clorotetraciclina adicionado
à formúla por 60 dias. Outras alterações a esta
fórmula têm de ser realizadas, como um teor mais elevado de agentes
anti-fungos (propionato de Cálcio) e níveis de cálcio
mais elevados. O meu ponto de vista é que estas dietas são o
melhor modo para eliminarmos estas doenças dos nosso aviários.
O uso de medicação a água de bebida nem sempre é
eficaz no tratamento de portadores.
É certo que estamos ainda numa fase inicial da compreensão dos
aspectos nutricionais e comportamentais das aves em cativeiro. Mas apenas
poderemos aprender mais sobre as necessidades de proteína, gordura,
minerais e vitaminas, se conhecermos os valores da dieta que usamos atualmente
e o que as aves aproveitam dela. Isto é praticamente impossível
de determinar quando as aves podem optar entre diversos alimentos e métodos
de alimentação.
Todo o alimento desperdiçado teria de ser rapidamente recolhido e analisado
para ser subtraído ao valor inicial do alimento fornecido. A diferença
será o que a ave ingeriu. Em 1980, quando trabalhava na minha tese,
tentei este método e nunca consegui chegar a valores confiáveis,
havia simplesmente demasiado desperdício. Consegui, contudo, instalar
um único comedouro, fornecer girassol descascado, e recolher o desperdício
causado pelas aves, neste caso a cracatua de Goffin. A Energia metabolizável
do girassol nestas aves era de 6.201 + 282 kcal/kg quando determinada para
um caso ad libitum do efetivo total, e 6.094 + 86kcal/kg, quando determinada
para todo o efetivo.
A média do metabolismo diário da existência para estas
aves em condições de gaiola foi de 48kcal/dia/ave ou 185 kcl/dia/kg
de ave. Isto é cerca de 2,2 vezes a taxa de metabolismo basal (N.T.
referente à necessidade alimentar para manutenção do
peso vivo inalterado) prevista pelas fórmulas. Conhecendo as necessidades
específicas de uma ave e o seu valor energético garantimos que
a quantidade suficiente de nutrientes é adicionada ou suplementada
a essa porção de alimento.
Existem diversos métodos para adaptar as aves de uma dieta de sementes
para granulados. Diminuir gradualmente a quantidade de sementes/granulado
causa um certa confusão pois as aves acabam por selecionar as sementes
preferidas desperdiçando o granulado. Achamos ser preferível
usar mais comedouros e fazer com que o que contém as sementes sejam
consumido inteiramente num dia deixando o de granulado bem cheio.
Adicionar água morna e misturando com o granulado num comedouro de
sementes, também ajuda à adaptação. O alimento
úmido é mais apetecível para a maioria das aves, mas
estraga-se rapidamente e deves ser trocado com freqüência.
Muda-se lentamente para a forma seca de granulado. Esta questão raramente
surge nos animais criador à mão pois são alimentados
desde jovens com granulados. Isto é mais fácil que o uso de
sementes suplementadas com papas na altura da separação das
crias. Se as necessidades de crescimento e formação de plumagem
são atendidas, então poderemos dizer que a fórmula estará
completa. Assim, com dezenas de milhares de papagaios a serem criados com
estes alimentos podemos preocupar-nos menos com as necessidades precisas mínimas
para cada nutriente ou espécie de ave.
Alguns dos ingrediantes usados nas dietas granuladas têm sido questionados
ultimamente. Enquanto a soja é uma excelente fonte de proteínas,
em crú esta contém fatores anti-nutricionais que interferem
na utilização da proteína. Estes são destruídos
e inativados durante o processamento. A ciência não dispõe
de todas as respostas mas força-nos a olhar para as questões
de uma maneira estruturada (o método científico) que permite
que se atinjam algumas conclusões.
Demasiadas vezes os criadores alteram algo no seu método normal e relacionam
sucessos ou fracassos com essa alteração. Existem muitas e diversas
variáveis que podem influenciar estas situações; doenças
sub-clinicas (não diagnosticadas), experiência, stress e outros.
Para que se possa julgar mais corretamente um novo suplemento ou alimento
é importante minimizar estes fatores. Um modo mais correto de julgar
um produto ou ingrediente é apenas o fornecer a metade dos casais de
um espécie, mantendo a outra metade como controle para comparação.
Mantenha uma mentalidade aberta e questione-se sempre "se
há um método melhor".
Mark Hagen, M.Ag. Diretor de Pesquisas