MEGABACTERIOSE

        Comumente chamada de Megabacteria, mais por sua de dimensão física, já que é visível em sua forma de bastões a partir de aumento de 100 vezes, do que por sua patogeneidade, a Macrorhabdus ornithogaster, está cada vez mais presente na avicultura de gaiola. É capaz de causar uma reação inflamatória na mucosa gástrica logo abaixo da camada do ventrículo. Essa megabactéria foi descoberta nos Estados Unidos, na década de 80, vindo a ser, no ano de 2005, classificada, identificada e tipificada como um fungo.
        Suspeita-se que possa fazer parte da flora gastrointestinal normal dos pássaros, manifestando-se a doença nos imunossuprimidos.


Imagem microscópica de lâmina corada pelo método de Gram

        Típica da estrutiocultura (criação de avestruzes) sua manifestação clínica é caracterizada por emagrecimento progressivo, prostração, perda do apetite, caquexia e morte. Na manifestação crônica, os pássaros podem sobreviver por meses, apresentando, inclusive, períodos de aparente melhora. Nas criações domésticas de canários, periquitos e outros pássaros, especialmente em planteis endo e/ou ectoparasitados temos encontrado sua manifestação mais aguda, com significativa mortandade.


        No quadro clínico agudo a comida é regurgitada levando a uma visível sujeira no bico. Alguns pássaros comportam-se estirando o pescoço, abrindo e fechando o bico repetidamente, como se estivessem beliscando o ar. Pode ser detectada a presença de sangue ou de alimentos não digeridos nas fezes. Há relatos de pássaros que apresentaram sinais nervosos.
A morte ocorre por paralisia gástrica.

        O diagnóstico veterinário deve ser confirmado por exame de fezes, ou, com muito mais confiabilidade, por esfregaços (imprints), a partir do lado interno do ventrículo, em pássaros necropsiados. Também pode ser efetuado o exame dos raspados do conteúdo intestinal. A avaliação microscópica das paredes internas do ventrículo e pro-ventrículo permite a observação de ulcerações.


Imagem microscópica da parede interna do ventrículo


        A contaminação se dá, principalmente, pelo contato com fezes e utensílios. Pássaros tratados e curados são predispostos a novas infestações. É transmitida dos pais para os filhotes. Viagens e torneios são oportunidades para a contaminação. A introdução de pássaros portadores nos planteis tem sido apontada como a principal causa de megabacteriose.


        Devido à sua natureza fúngica, praticamente não há resposta a antibioticoterapia.

        A Vetafarm australiana, produz um medicamento chamado Megabac-S à base de anfotericina B (2%) específico para a doença.

        No Brasil temos obtido bons rezultados com a Nistatina e com o Cetoconazol.
A acidificação da água de bebida é coadjuvante do tratamento, pois a M. Ornithogaster somente se desenvolve em meio alcalino.


RESULTADO DE BIÓPSIA EM PASSARO ACOMETIDO DE MEGABACTERIOSE

MICROSCOPIA
Coração: dentro dos limites da normalidade.
Pulmão: dentro dos limites da normalidade.
Fígado: discreta degeneração vacuolar difusa.
Baço: depleção linfóide moderada associada a intensa histiocitose.
Pâncreas: dentro dos limites da normalidade.
Rim: dentro dos limites da normalidade. Parcialmente autolisado.
Intestino delgado: criptas não preservadas, enterócitos de revestimento descamados e em autólise, congestão da lâmina própria e aumento moderado de infiltrado plasmocitário. Presença de discreta quantidade de estruturas compatíveis com megabactéria associada a pequenos focos de estruturas compatíveis com cocos. Moderada enterite plasmocítica (bacteriana e fúngica).
Proventrículo: severa quantidade de estruturas compatíveis com megabactéria ulcerando mucosa, associadas a intenso infiltrado inflamatório predominantemente heterofílico. Pequenos focos de estruturas compatíveis com cocos. Proventriculite ulcerativa fúngica severa.
Ventrículo: severa quantidade de estruturas compatíveis com megabactéria ulcerando cápsula e mucosa do órgão, associadas a intenso infiltrado inflamatório predominantemente heterofílico. Ventriculite ulcerativa fúngica severa.

COMENTÁRIOS
Os achados microscópicos são compatíveis com um quadro severo de megabacteriose em proventrículo e ventrículte.. A megabacteriose é causada por uma levedura denominada Macrorhabdus ornithogaster, que coloniza proventrículo e ventrículo. A megabactéria coloniza as porções inferiores do proventrículo e glândulas superficiais, causando uma hipersecreção das glândulas mucosas e espessamento da parede do ventrículo, associada a pequenas hemorragias. O microrganismo é anaeróbico facultativo e cresce bem em Agar sangue. Na maioria dos casos, trata-se de uma infecção oportunista que acomete principalmente animais imunossuprimidos. O tratamento e prevenção consistem da acidificação da água de beber, fornecimento de alimentos com alta digestibilidade, suporte nutricional com vitaminas e terapia com anfotericina B ou nistatina.