A difícil clínica das aves de gaiola.
O Instituto Biológico de Descalvado, em São Paulo, publicou trabalho
sobre a susceptibilidade de culturas de Escherichia Coli às principais
drogas empregadas no combate a Colibacilose. Cento e vinte amostras de Escherichia
Coli isoladas dos sacos aéreos de aves foram multiplicadas e os principais
ativos disponíveis, testados. Os resultados foram impressionantes.
Foi verificada resistência à Tetraciclina (76%), à Ciprofloxacina
(62,5%), à Enrofloxacina (62%), à Amoxilina (58%), à Ampicilina
(58%), à Norfloxacina (57,6%), à Cefalexina (54,6%), à
Cefalotina (54,6%), à associação Sulfametrol/Trimetropina
(49,5%) e à Fosfomicina (8,7%).
Do total de amostras bacterianas analisadas, apenas sete foram sensíveis
a todos os antimicrobianos testados, 20 demonstraram resistência a uma
ou duas drogas, e 93 apresentaram resistência a três ou mais medicamentos.
Nenhum medicamento foi eficiente contra todas as cepas.
Uma publicação anterior já havia demonstrado a avaliação
de resistência de Salmonelas, com resultados muito semelhantes.
A explicação para um antimicrobiano ter sido empregado com sucesso em um criatório e não apresentar resultado satisfatório em outro, para uma mesma enfermidade, está na resistência bacteriana.
Isso demonstra de forma muito clara que mesmo com o diagnóstico apoiado
em avaliação laboratorial, o tratamento prescrito poderá
encontrar resistência bacteriana e não obter sucesso.
O médico veterinário apenas será capaz de prescrever o
tratamento com segurança a partir do isolamento das cepas, da cultura
laboratorial e de testes de susceptibilidade.
A situação não é confortável.
A maioria dos criadores de pássaros está distante dos laboratórios
e alguns exames são realizados apenas por laboratórios altamente
especializados. Exames mais sofisticados somente podem ser efetuados a partir
na necrópsia dos pássaros. Exames de sangue são praticamente
impossíveis em pássaros de gaiola, pela quantidade de material
necessária. O resultado do antibiograma demanda um tempo que, na maioria
das vezes, o pássaro doente não pode esperar.
O exame clínico, mesmo por profissional experiente, não costuma apresentar resultado conclusivo. São dezenas de doenças com sintomas muito semelhantes. Quando o quadro clínico está bem definido, normalmente, a doença já se agravou ao ponto do pássaro não ter mais possibilidade de recuperação.
Para minimizar as dificuldades, além de todas as medidas preventivas conhecidas, a observação diária efetuada pelo criador em seu plantel deve ser rigorosa. O criador conhece muito bem os pássaros com os quais convive. Qualquer alteração de comportamento deve ser analisada e o veterinário deve ser procurado ao menor sinal de problema de saúde, para evitar agravamento do estado de saúde. Depois que o pássaro estiver embolado, no fundo da gaiola, a possibilidade de recuperação será bem menor. O sucesso do tratamento depende da agilidade na identificação do problema.
O primeiro remédio será sempre o calor. Em caso de qualquer problema de saúde o pássaro deve ser imediatamente isolado dos demais e mantido sob fonte externa de calor. Na água do bebedouro devem ser adicionados um complexo de vitaminas e aminoácidos, e um isotônico.
Na maioria dos casos, o veterinário prescreverá um antibiótico de largo espectro, cujo efeito deve ser acompanhado pelo criador. Se ao final do segundo dia de tratamento o pássaro não apresentar sinais de recuperação, o veterinário deverá ser acionado para a possível modificação do tratamento.
Todos os pássaros que morrerem por conseqüência de enfermidades devem ser encaminhados para necrópsia e avaliação da causa da morte, com cultura de órgãos, isolamento de patógenos e teste de sensibilidade aos antimicrobianos.
Tudo deve ser registrado pelo criador. Sintomas observados, medicamentos empregados, resultados dos tratamentos e laudos laboratoriais comporão o histórico sanitário do criatório, que será grande subsídio para os diagnósticos futuros.