Cabines de Isolamento Acústico. Possibilidades, limitações e causas de insucesso.

 

Artefato concebido nos anos 80 pelo criador e pesquisador Gilson Barbosa, a cabine de isolamento acústico ganhou importância e constitui-se atualmente em elemento imprescindível para a manutenção e desenvolvimento do canto de vários pássaros em um mesmo ambiente.

O projeto inicial aproveitava caixas de isopor e sofreu vários aprimoramentos ao longo dos anos.

Como é costume do seu projetista, as experiências com as cabines tiveram seus resultados amplamente divulgados. Mesmo os detalhes mais sutis do projeto foram colocados à disposição dos interessados.

Muitos criadores construíram suas próprias cabines.

Foi apenas uma questão de tempo para que empresas descobrissem o novo filão e iniciassem a produção comercial das cabines de isolamento acústico.

Atualmente são várias as opções disponíveis para compra. Há, inclusive, possibilidade de solicitação de modelos com medidas especiais, destinados ao atendimento de necessidades específicas.

Muitos criadores investiram na aquisição de cabines industrializadas e se frustraram com o resultado obtido, contra-indicando seu uso. Há, ainda, quem condene seu uso pela imagem de clausura extrema propiciada pela visão de um pássaro em seu interior.

Quanto a impressão de agravamento da clausura, podemos afirmar que o espaço desfrutado pelo pássaro continua limitado pela dimensão da gaiola, onde já está, mesmo fora da cabine. Muito semelhante a sensação causada pela colocação da capa sobre a gaiola, prática usual para transporte ou condicionamento visual dos pássaros. Mesmo para o período de muda de penas, muitos criadores mantém os seus pássaros em gaiolas encapadas.
É possível que um pássaro se estresse no interior da cabine por características individuais. Há pássaros que, realmente, não se adaptam à cabine. Da mesma forma que alguns pássaros não se adaptam ao serem mudados para determinado ambiente, sem qualquer razão aparente. Mas esses são casos raros e constituem a exceção e não a regra. Na maioria dos casos, ficam melhor no interior da cabine do que estavam fora. Menos sujeitos as variações de temperatura, correntes de ar e estímulos sonoros indesejáveis, permanecem mais tranqüilos e saudáveis.

Quanto às razões para o insucesso, temos que considerar várias possibilidades. Abordaremos alguns problemas mais comuns observados no uso das cabines de isolamento acústico.

Questões de ordem fisiológica:

As colas empregadas na fabricação das chapas de madeira, ou mesmo para a montagem das cabines costumam liberar folmaldeído, um gás incolor, irritante das vias respiratórias e das vistas. Na concentração de 1 ppm pode levar a óbito um pássaro em menos de 30 minutos. Todas as cabines, durante certo, tempo exalam alguma quantidade de formaldeído. Expor a cabine ao calor do sol, em ambiente ventilado, por uma semana, costuma resolver o problema. Há fabricantes que recomendam esse procedimento no manual que acompanha a cabine.
Mais raramente, pode ocorrer de uma cabine em uso há anos, em um dia de muito calor, liberar formaldeído em nível tóxico para um pássaro.
O primeiro sintoma de intoxicação por esse gás é o piscar de olhos constante do pássaro, denunciando a irritação das vistas. Em algumas horas estará embolado e poderá morrer se não for deslocado para um ambiente ventilado.
Normalmente basta um dia em ambiente arejado, sem qualquer medicação, para a sua completa recuperação. Nos casos mais graves costuma-se ministrar glicose na água de bebida.

Fungos encontram no interior das cabines um ambiente favorável ao seu desenvolvimento. É importante, em intervalos regulares, sua assepsia, preferencialmente, seguida de exposição ao sol de seu revestimento interno.
Um produto muito empregado é o Funbacnew, comercializado pela Max Clean, que elimina Ácaros, Fungos, Mofo e várias bactérias

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Em locais com maior umidade relativa do ar, é importante manter no interior da cabine algum produto para a eliminação da umidade excessiva. Há uns saches de com argila ativada que são muito indicados. Ambos os produtos citados podem ser adquiridos na Albrasil (http://www.albrasil.com.br/ ) ou na Vitashop ( http://www.bairrovilaolimpia.com.br/lojaparaalergicos/ ).

A manutenção de capa ensaiada, adequada para uso em cabines de isolamento colabora com a higiene no seu interior e evita que o pássaro acabe por bicar a espuma do revestimento interno.
A loja Terra das Gaiolas (http://www.terradasgaiolas.com.br/ ) comercializa um modelo muito adequado.

Em hipótese alguma deve ser colocada banheira em uma gaiola que esteja dentro da cabine. Alguns pássaros costumam tentar banhar-se com a água do bebedouro. Nesses casos devemos colocar na gaiola bebedouros com a bandeja mais estreita.

A sensibilidade dos pássaros às variações bruscas de luminosidade é outro problema comum no manejo com cabines. Os pássaros levam um certo tempo para adaptarem suas pupilas a mudança de luminosidade e são mais sensíveis que outros animais. Retirar um pássaro da cabine e coloca-lo imediatamente exposto aos raios solares, poderá acarretar grandes problemas. Por ocasião dos necessários banhos de sol, os pássaros que estiverem no interior de cabines devem ser mantidos à sombra por alguns minutos, até se adaptarem a nova condição de luminosidade.

A questão da renovação do ar no interior das cabines merece atenção. Qualquer erro pode levar desconforto ao pássaro, criando uma condição de estresse e comprometendo o aprendizado do canto ou mesmo sua saúde.
Há necessidade de uma saída livre de obstrução para o ar interior. O ar pode ser bombeado para o interior por compressores bem dimensionados e corretamente instalados. Uma cabine tem, em média, 90 litros de ar em seu interior. Uma referência razoável seria um compressor capaz de bobear 4 litros de ar por minuto, para uma única cabine. Um compressor com potência super-dimensionada poderá causar pressurização do interior da cabine, levando grande desconforto para o pássaro. O compressor não deve ser instalado sobre o móvel da cabine. A vibração do compressor é transmitida para cabine. Deve sempre ficar em uma prateleira a parte e, preferencialmente, sobre um pedaço de espuma.

Os compressores que acompanham as cabines industrializadas, normalmente são os mais baratos e barulhentos do mercado.

É possível adquirir compressores de melhor qualidade, mais silenciosos e com menor vibração. Nos casos em que várias cabines serão instaladas no mesmo local, a melhor opção é a instalação de um único compressor, de maior potência, para varias cabines. Há modelos com até 4 saídas.

Nas lojas de aquarismo estão à venda mangueiras de 4 mm e componentes como emendas, divisores de ar e válvulas reguladoras de fluxo, que permitem vários arranjos na instalação dos compressores.


As cabines fabricadas pela Grataner apresentam outro sistema de ventilação, empregando uma ventoinha do tipo empregado para refrigerar os gabinetes de computadores, embutida na porta, que é acionado sempre que a porta é fechada.
Também é necessário que o ambiente onde estão instaladas as cabines seja bem ventilado.
É boa prática manter as portas das cabines abertas durante a noite, sendo desligados os compressores.

A questão do isolamento acústico.

Nenhuma cabine comercializada é capaz de isolar totalmente o som. Testamos cabines fabricadas pelo Edílson Guarnieri (011 2693-7399 ou 9203-7795), pelo Parizotto (http://www.caixasacusticasparizotto.com.br ) e pela Grataner ( http://www.grataner.com.br/cabine.html ). Em todas as cabines foi colocado um mini gravador digital da Panasonic que, mesmo com a porta fechada, gravou o canto de um bicudo que estava no lado de fora. As cabines fabricadas pelo Edilson se mostraram ligeiramente superiores às demais avaliadas, no aspecto isolamento acústico.
Isso comprova que instalar cabines em ambientes onde existem pássaros cantando é perda de tempo, pois os filhotes encartarão o canto dos pássaros e não o do CD.
Para evitar no criatório o som do canto de um pássaro que se deseje manter por razões genéticas, as caixas são mais eficientes. Isso se dá, pela absorção do som pelo revestimento interno, que complementa o isolamento e, praticamente, impede que um pássaro cantando em seu interior seja ouvido no ambiente.
Quando várias cabines estão reunidas em um mesmo ambiente, o canto de um pássaro que estiver dentro da cabine não será ouvido por outro que também esteja em outra cabine. O isolamento do som de uma cabine para outra é total.
Aí está a maior conveniência do seu emprego. Podem ser mantidos, em um mesmo ambiente, vários pássaros aprendendo o canto, sem que um comprometa o aprendizado do outro.

No aspecto facilidade de instalação, destacamos as cabines fabricadas pelo Parizotto, que já chegaram com um sistema para fixação que permite que sejam facilmente penduradas ou retiradas da parede.


As cabines da Grataner que testamos, mostraram-se muito pesadas para a fixação na parede, tornando necessária a instalação de um suporte para recebê-las.

Manda a prudência que não se instale uma cabine encostada à outra, pois isso facilitaria a passagem do som. Mesmo com cabines encostadas não conseguimos gravar do interior de uma o canto de um pássaro no interior da outra. De qualquer forma registramos a recomendação para que se instale as cabines a 5 cm umas das outras.


Manter no ambiente o som de uma radio FM complementa o processo evitando que sons externos chamem a atenção dos pássaros no interior das cabines. Existem várias opções de aparelhos que acionam automaticamente um rádio nos intervalos das lições. Particularmente, somos favoráveis ao som da FM no ambiente e não distribuído para os auto-falantes das cabines.

As cabines de isolamento acústico se constituem, ainda, em uma grande ferramenta de apoio por ocasião da muda de penas. Pássaros mais fibrados lutam contra a muda enquanto ouvem o canto de seus semelhantes. No interior de cabines ficam tranqüilos e mudam com mais facilidade, livres de variações bruscas de temperatura e correntes de ar. Cabe ressaltar que no aspecto isolamento térmico, as cabines fabricadas pelo Parizzoto se mostraram superiores às demais avaliadas.

A questão da qualidade acústica.

De pouco adianta o investimento em cabines de isolamento acústico se o som ouvido pelo pássaro em seu interior não for de qualidade.
Pela menor possibilidade de reflexão do som, no interior de uma cabine sempre terá mais qualidade que em um ambiente fechado sem revestimento acústico.
Além do auto-falante instalado ser fundamental, a qualidade do revestimento interno também conta pontos para o sucesso. No aspecto da qualidade acústica, as cabines da Grataner se mostraram muito superiores às demais avaliadas. As cabines fabricadas pelo Parizotto foram fornecidas com auto-falantes de baixa qualidade, que foram imediatamente substituídos.

A qualidade do aparelho que irá rodar a lição de canto é fundamental. Para planejar a instalação do som nas cabines é imprescindível um mínimo de conhecimento sobre potência e impedância do equipamento. Instalações com auto-falantes combinados em série, em paralelo ou mesclando circuitos em paralelo com circuitos em série poderão harmonizar a impedância e a potência dos auto-falantes com o equipamento de som. Publicamos na seção de artigos desse site, um texto com informações básicas sobre o assunto.
As emendas dos condutores poderão, se não forem bem feitas, deteriorar a qualidade do sinal sonoro, independentemente do equipamento empregado, comprometendo o aprendizado canto.

Temos que considerar, ainda, como possibilidade de insucesso, que algumas espécies demonstram melhor capacidade de aprender o canto a partir de sonorização eletrônica que outras. Os curiós e os sabiás encartam com mais facilidade em cabines de isolamento acústico que os bicudos.
Também a qualidade da vetorização do filhote é fundamental para o êxito no encarte. Adquirir um filhote que permaneceu em um gaiolão ouvindo de tudo um pouco e esperar dele grande desempenho no encarte de canto é demasiado otimismo.
Também é certo que determinadas linhagens genéticas apresentam melhor desempenho que outras, dentro da mesma espécie.

Como vimos, as cabines de isolamento acústico são uma grande ferramenta para o desenvolvimento do canto dos pássaros, mas implicam em alguns cuidados para que se evite decepções com o seu emprego.

Nota: As cabines que testamos, poderão já ter sofrido altualizações de projeto por seus fabricantes e, atualmente, apresentarem outras características.