Antibióticoterapira profilática. Um grande dilema.

A antibióticoterapia preventiva tornou-se prática rotineira nos grandes plantéis. É defendida por criadores de expressão internacional como Álvaro Blasina, do Canaril Uruguai (http://www.blasina.com.br/blasina/Default.asp), e recomendada por profissionais renomados da Medicina Veterinária, como Stella Maris Benez, que afirma em artigo publicado no site da Angercal (http://www.amgercal.com.br/) que a mycoplasmose deve receber tratamento preventivo a cada três meses.

Em contrapartida, muitos criadores, como o José Carlos Pereira, Médico e conhecido articulista, são categóricos ao afirmar que são poucos os casos em que o uso profilático de antibióticos tem valor comprovado. Além disso, sustentam que a infecção pelo Mycoplasma não é um deles e que tal prática cria cepas resistentes da bactéria, um problema para nossa própria família e para nossos pássaros.

Ninguém, em juízo perfeito, tomaria um antibiótico para prevenir qualquer enfermidade. Sabemos dos efeitos colaterais do uso de antibióticos e evitamos ao máximo seu emprego.
“Se não tomo um antibiótico de forma preventiva, por que daria para meus pássaros?”
A medicina humana possui recursos que, atualmente, ainda são impensáveis para a veterinária. A clinica ornitológica é de extrema complexidade, pois as doenças são muitas e os sintomas semelhantes. Os exames laboratoriais não estão ao alcance da maior parte dos criadores e seus resultados nem sempre são conclusivos. Mesmo quando identificam a presença do patógeno não asseguram o sucesso do tratamento, que poderá esbarrar na resistência bacteriana.
Somente a sorotipagem, a cultura laboratorial e o antibiograma poderiam confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento adequado. O processo, da coleta de material ao recebimento do resultado do antibiograma, demanda um tempo que, na maioria das vezes, o pássaro não consegue esperar.
Criatórios com taxas de ocupação demasiadamente elevadas tem dificuldade para o isolamento de pássaros enfermos e as doenças se espalham pelo plantel como um rastilho de pólvora.
São esses, alguns dos fatores que têm levado um número, cada vez maior, de criadores à adoção de um programa sanitário que inclui a antibioticoterapia preventiva em seus plantéis.

A mycoplasmose, que chega silenciosa e assintomática, alastrando-se por todo o plantel, comprometendo as defesas naturais dos organismos dos pássaros e abrindo caminho para a colibacilose (Escherichia Coli) e para tantos outros patógenos oportunistas é o principal alvo da medicação preventiva. Em um segundo lugar figura a arquiinimiga coccidiose, mantida em níveis de infestação baixos pelo emprego sistemático de coccidiostáticos.

Criadores que não adotam a medicação preventiva em seus plantéis correm o risco de perceberem que a saúde de suas aves não vai bem apenas com a queda da produtividade e a elevada mortandade de filhotes nidícolas, quando a estação de reprodução já estará comprometida e as dificuldades para a recuperação da condição sanitária serão maiores.

Os criadores que fazem uso da antibióticoterapia estratégica costumam manter níveis mais elevados de produtividade. No entanto, os filhotes comercializados não possuem o sistema imunológico natural desenvolvido em sua plenitude, pela menor exposição. Esses filhotes apresentam, por algum tempo, menor resistência aos patógenos presentes nos plantéis que os recebem.

Observe um exemplo de programa sanitário estratégico adotado por um grande criatório.

Correndo pela raia de fora, a Homeopatia Veterinária está ganhando adeptos. Muitos criadores confirmam a obtenção de ótimos resultados com o emprego de tratamentos homeopáticos de longo prazo. Empresas como a Arenales Fauna e Flora (http://www.arenales.com.br/) ou a Vida Animal (http://www.vidaanimal.far.br ) oferecem produtos homeopáticos e orientam programas para todas as fases da criação.

Observe um exemplo de programa sanitário estratégico com produtos homeopáticos.

A decisão é difícil. Pessoalmente entendemos que cada plantel vive sua realidade, com seu nível de desafio. Um criatório que enfrentou vários problemas sanitários durante o ano, grande número de ovos claros e elevada mortandade de filhotes, terá que buscar uma solução que, provavelmente, vai empregar a medicação em massa. Solucionados os problemas, o investimento deve ser feito em medidas que evitem a contaminação e reinfestação do plantel.
Costumamos afirmar que a boa alimentação, a água e o sabão e um pouco de sol são os melhores preventivos.