Testemunhamos
muitas improvisações com campânulas e lâmpadas
incandescentes, próprias para granjas de aves de corte, sobre
pequenas gaiolas encapadas. E os filhotes lá. Mantidos pela
dedicação de um verdadeiro amante dos pássaros.
Nesse
site é apresentado um projeto para incubadora
de fabricação caseira de autoria do criador Heliano
Lemos, que pode ser executado por qualquer interessado |
 |
| Estão
disponíveis, no mercado, várias soluções
profissionais para a manutenção de filhotes de pássaros
sem os pais. Algumas nacionais, com preços mais atrativos.
A Premium Ecológica comercializa uma Unidade de Tratamento
de Pequenos Animais, que ainda não tivemos oportunidade de
testar, mas que presumimos ter a mesma qualidade de outros produtos
da empresa (http://www.premiumecologica.com.br/uta.html). |
| A
Criativa comercializa uma incubadora manual para ovos de pássaros
(http://www.criativanet.com.br/ornitologicos/incubaovos.html) que
já empregamos com muito sucesso na manutenção
de filhotes.
Uma
observação importante sobre a incubadora da Creativa
é que, em nossos testes, ela apresentou uma variação
de temperatura de até 4°C, que consideramos muito elevada
para nossa finalidade. Avaliamos a incubadora e achamos que isso
se devia, principalmente ao fato da mesma ser montada em caixa de
plástico e possuir pequena massa para armazenamento do calor
gerado pela resistência. Nos intervalos determinados por seu
termostato eletrônico a temperatura caia muito. Colocamos
no interior da incubadora, sobre seu fundo plástico e sob
a grade metálica, quatro lajotas de cerâmica refratária,
com o cuidado de não bloquear as entradas de ar. Como resultado
a temperatura passou a variar menos de 2°C.

Incubadora Creativa com lajotas de cerâmica
refratária
A
observação da variação da temperatura
deve ser obtida por termômetro eletrônico de boa qualidade,
pois a maioria dos modelos de incubadoras é fornecido com
um termômetro de bulbo de mercúrio, que apresenta um
tempo de reação maior, dificultando a medição
das oscilações.
|
|
Incubadoura Criativa |
| |
Atualmente
empregamos, em nosso criatório, um nascedouro fabricado pela
Premium Ecológica, onde foram introduzidos suportes para
ninhos. O resultado é excelente. Variação de
temperatura é de cerca de 1°C, e a umidade, apesar da
regulagem manual pelo nível da água em seu interior,
se mantém muito estável. O nascedouro é usado
para a manutenção dos filhotes até estarem
empenados. |
| O
processo é trabalhoso, porém muito simples.
A
higiene é fundamental. A cada refeição são
removidas as fezes dos ninhos e diariamente os ninhos são
trocados. O ninho retirado é higienizado e só retorna
ao uso depois de um dia exposto ao sol. Principalmente nos primeiros
dias, é importante que o ninho colocado permaneça
por alguns minutos no interior da incubadora antes da transferência
dos filhotes, para evitar variação brusca na temperatura.
As
refeições devem ser ministradas em intervalos de,
no máximo, uma hora e trinta minutos. Melhor é determinar
o intervalo pela observação do volume do papo do filhote.
Esvaziou... ta na hora.
Certa
vez efetuamos um comparativo com filhotes de periquito australiano.
10 filhotes nascidos no mesmo dia. Três recebiam comida a
cada 2 horas. Três recebiam comida a cada 1 hora e meia e
quatro foram mantidos com comida no papo. Observando-se os filhotes,
quando o papo estava quase vazio era oferecida a refeição.
Os intervalos ficaram em torno de 50 min. Em uma semana os filhotes
que foram mantidos com comida no papo aparentavam ter 2 dias mais
que os outros. Empenaram, também, um pouco mais rápido.
No entanto, apresentaram maior demora para comerem sozinhos. É
possível que o ditado "a fome aguça a esperteza"
tenha funcionado com eles. Parecem ter ficado mais dependentes.
O lote que recebeu comida em intervalos de 1 hora e meia apresentou
desenvolvimento ligeiramente superior ao do lote submetido ao intervalo
de 2 horas. Todas
as avaliações foram efetuadas apenas pela observação
visual, sem maiores critérios zootécnicos. Após
três meses de nascidos, nenhuma diferença podia ser
observada entre eles, salvo de um macho que se apresentava maior
e mais bonito que os demais, muito provavelmente, por característica
genética e não pela forma como foi alimentado. |
A
preparação da papa que será fornecida aos filhotes
requer alguns cuidados. Nos primeiros dias deve ser servida mais diluída,
sendo engrossada progressivamente até o sexto ou sétimo
dia. A partir daí seguem duas partes de água para uma
da farinha. Na própria embalagem da Papa da Alcon é
enunciada a sugestão de 1 parte do produto para 5 partes de
água no primeiro dia e 1 parte do produto para 2 partes de
água, a partir do sétimo dia de vida dos filhotes. Seguimos
e recomendamos a sugestão do fabricante. A
papa deve ser servida a uma temperatura de 38°C. Após uma
serie de tentativas estabelecemos a seguinte rotina de preparo:
Aquecer
cerca de 100 ml de água até o início da fervura.
Encher uma xícara de cafezinho (usamos as de porcelana) com
a água aquecida. Encher a seringa que será usada com
a água aquecida. Esvaziar, após alguns segundos a xícara,
que ficou aquecida pela água. Colocar uma colher de chá
da papa da Alcon. A colher deve ficar rasa, com a mesma quantidade
de farinha que conterá de água. Em seguida adicionamos
a água. Tantas colheres cheias quantas forem necessárias
para a proporção desejada. Mexer muito bem a papa, de
forma a que fique totalmente homogênea. Quando
estiver pronta, a papa deve ser aspirada através da ponta que
será usada na seringa. A seringa também foi previamente
aquecida pela água quente. Nunca deve ser retirado o embulo
da seringa para seja cheia por trás, pois alguma porção
da papa que não esteja bem dissolvida pode entupi-la. Procedendo
dessa forma, com tranqüilidade, teremos a papa com a temperatura
próxima dos 38°C recomendados. Pelo tato podemos avaliar
a sua temperatura. |
|
|
|
| Costumamos
incluir, diariamente, em uma das refeições, uma gota
de Aminosol. Isso a partir do sétimo dia de vida do filhote.
Embora não tenhamos conhecimento de nenhum trabalho científico
que recomende o uso do Aminosol nessas condições, sempre
o fizemos, e não vimos até agora razão para alterar
tal procedimento.
Quanto
a seringa a ser empregada, melhor que possua dosador, pois é
muito difícil pressionar o embulo de forma a fornecer uma
porção adequada e regular à cada filhote. Uma
agulha sem ponta, e preferencialmente curva, é de grande
ajuda. Embora esse material possa ser improvisado ou adquirido em
lojas de material odonto-hospitalar, existem dosadores fabricados
para esse fim específico, que podem ser adquiridos no comercio
especializado. |
|
A
loja Terra dos Pássaros (ver link na página inicial),
comercializa um Kit da Zootech, que é boa opção
para quem reproduz variadas espécies de pássaros.
O criatório Rio Bonito vende um dosador muito adequado aos
filhotes de Bicudo (http://criatorioriobonito.com.br/dosador.html).
Como
é montado em seringas BD de 10 mL, fica fácil a sua
renovação, bastando adquirir, em qualquer farmácia,
uma nova seringa. Lubrificar diariamente a parte de borracha do êmbulo
da seringa prolonga muito sua vida útil. |
|
 |
 |
A
papa deve ser depositada sobre a língua do filhote e após
o início da formação do bico. O filhote deve
abrir o bico espontaneamente. Nunca deve ser forçado. Na segunda
ou terceira refeição já estão espertos,
facilitando o trabalho com a seringa. A quantidade é sempre
pequena. Uma gotinha de cada vez. Se o filhote sacudir a cabeça,
tentando livrar-se da papinha será por essa ter sido depositada
em local inadequado ou em quantidade excedente. Não
podem ficar restos de papinha no bico, corpo do filhote ou no ninho.
É fungo na certa. O papo não deve ficar demasiadamente
cheio. Os filhotes são gulosos e mesmo alimentados ficam pedindo
mais e mais comida. É
necessário limpar o bico dos filhotes após cada refeição.
Para isso empregamos pedaços de guardanapos previamente cortados
com tesoura.
|
| A
partir de 10 ou 12 dias de vida os filhotes começam a ficar
irrequietos no ninho, ficando pousados em suas bordas e mesmo saltando
para fora. Daí em diante é preciso cuidar para que não
caiam e se machuquem, principalmente durante as refeições.
É mais confortável retirar o ninho da incubadora na
hora de alimentar os filhotes. Daí a preocupação
com uma possível queda.
Na
medida em que vão se desenvolvendo, os filhotes não
param quietos na incubadora. Já estando mais empenados estão
menos sensíveis as variações de temperatura.
Nessa fase é melhor transferi-los para pequenas gaiolas,
que podem ser dotadas de aquecedor elétrico ou serem encapadas
e colocadas próximas de alguma lâmpada de aquecimento.
Transferidos para as gailolas, devem ter acesso à comedouro
com rações e farinhadas e a um bebedouro com água.
Quando iniciarem o consumo voluntário da farinhada, oferecemos
a mistura de sementes. É necessária muita sensibilidade
para saber a hora de reduzir a papinha na seringa, estimulando o
consumo voluntário.
A
temperatura na incubadoura deve ser diminuida na medida em que
os filhotes vão empenando. Consideramos ideal
a temperatura de 37 ° C, que vamos reduzindo a partir do
3 dia, à razão de 1° C por dia, até
que esteja estabilizada em 28°C. Quando
os filhotes são retirados da incubadoura, são
transferidos para gaiolas com aquecedores individuais. O aquecedor
mantem apenas uma parte da gaiola aquecida. Os proprios filhotes
passam a regular a necessidade de aquecimento. Quando não
se aproximam mais da área aquecida, o aquecedor pode
ser desligado. Tanto o Criatório Rio Bonito, como a Empresa
Criativa, vendem modelos de aquecedores. |
|
Os
filhotes criados sem a mãe, apresentam um pouco mais de dificuldade
para se adaptarem com a dieta comum. Certamente pela falta do seu
exemplo.
Quanto
ao imprinting da linguagem da espécie, pudemos observar
que um bicudo que criamos com alimentação manual acabou
por tornar-se galador em outro criatório, não apresentando
qualquer vicio de comportamento.
A
alimentação manual dos filhotes, também pode
ser implementada em apoio a alimentação dada pelos
pais, com grande sucesso para o desenvolvimento dos filhotes. Nesse
caso, devem ser fornecidas apenas algumas porções
aos ninhegos, sem nunca completar os seus papos, para que continuem
com apetite e pedindo comida aos pais. Se forem saciados plenamente,
a fêmea pode perder o estímulo e parar de alimentá-los.
|
| |
|
|
|