A
utilização dos recursos sustentáveis da fauna e da flora,
como elemento fundamental na preservação dos recursos naturais
tem sido a tônica nos foros de discussões mundiais, mas ainda não
é bem compreendida pela maioria da população.
O
crescimento da população mundial implica maior ocupação
territorial para a habitação e produção de alimentos.
É um processo de constante agressão aos ecossistemas e difícil
de ser contido. Antes da necessidade real ainda está o interesse econômico
dos muitos que depredam e extraem para a comercialização do que
não precisaram produzir, sem qualquer contrapartida para a natureza,
que já dá sinais de esgotamento.
Uma
das principais nuances da questão é a reprodução
de animais da fauna nativa em ambiente doméstico. Várias espécies
de nossa fauna, hoje extintas, poderiam ter sido preservadas pela reprodução
em ambiente controlado, e poderíamos estar pensando em sua reintrodução
em áreas de preservação ambiental. Mas não foram
preservadas e só é possível admirá-las nos catálogos
ornitológicos. Em ambiente doméstico, reproduzidos por muitas
gerações, temos mais de 10 vezes a população de
bicudos que existiu em qualquer tempo na natureza e que já está
praticamente extinta em vida livre.
A
população, desinformada, confunde o animal cativo que foi usurpado
da natureza por caçadores e traficantes sem escrúpulos, com o
que foi produzido em ambiente doméstico por criador legalizado.
Para
agravar a questão da falta de informação da população
ainda contamos com muitas ONGs que investem todos os seus recursos, muitas vezes
recebidos dos cofres públicos, em sensacionalismo midiático. Nunca
implementaram uma única ação que, efetivamente, tenha colaborado
para a preservação de qualquer espécie. Concentram sua
atividade em mostrar imagens de animais apreendidos de traficantes, em condições
miseráveis, acompanhadas de slogans de impacto. Nunca mostram o trabalho
de abnegados que conseguem, com grande dedicação, reproduzir espécimes
de nossa fauna nativa em ambiente controlado, garantindo com o seu trabalho
a possibilidade de perpetuação de algumas espécies.
Mesmo
nos quadros do IBAMA há pessoas que se esquecem das obrigações
de funcionários públicos e se valem da credibilidade funcional
para aparecerem na mídia engajados em militâncias filosóficas.
Alguns poucos por despreparo nas suas formações e outros tantos
por desejarem a redução das suas cargas de trabalho. Esses sonham
com o dia em que não exista mais a criação legalizada de
animais em ambiente doméstico para que não tenham atendimento
ao público nem necessidade de gerenciar registros, transferências,
distribuição de identificadores, licenças, avaliações
de projetos e, principalmente, envolvimento em atividade de fiscalização.
Felizmente, são uma minoria nos quadros da instituição.
A
legislação de proteção ambiental é uma enorme
piada. A fiscalização aplica multas, com valores astronômicos,
que nunca serão pagas. As penas de restrição da liberdade
são convertidas para o pagamento de cestas básicas ou algum trabalho
comunitário. Só quem vai preso é o animal, caçado
e traficado impunemente.
É
necessária uma urgente revisão da legislação. É
imperioso que se viabilize o trabalho de quem colabora com a preservação
e que sejam colocados na prisão os que buscam seus negócios na
caça e no tráfico de animais de nossa fauna nativa.
Vivemos
em uma democracia. O caminho para a solução dessa situação
passa, necessariamente, pelo Legislativo. Somos milhões de criadores
e mantenedores de pássaros, eleitores e formadores de opinião.
Particularmente,
não temos simpatia especial por qualquer partido. Mas gostaríamos
de conclamar a todos os interessados na preservação das nossas
espécies nativas, que sejam eleitores, para que levem em consideração
a compreensão de seus candidatos sobre o assunto e a sua disposição
para envidar esforços no sentido de que a legislação seja
atualizada de acordo com a realidade atual.
Aqui
reunimos alguns nomes de parlamentares que assumiram compromisso com nossas
reivindicações. Quem sabe um dia tenhamos uma bancada preservacionista
no Congresso Nacional, comprometida com a perpetuação das espécies
de nossa fauna nativa.